Amélia Fialho queria adotar uma criança para "ter a quem deixar os bens"
Diana Fialho e Iuri Mata recusam falar em julgamento. Inspetores revelam pormenores do crime.
16h46 - Maria Filipa Sousa, professora de físico-química na escola Jorge Peixinho, amiga de Amélia Fialho e foi professora de Diana no 11.º ano. "Como aluna era razoável de notas. Notava que tinha alguma ambição que não conseguia alcançar. Ela não teve uma nota ao agrado dela e eu dava-me muito bem com a Amélia. Ela manipulou a mãe ao ponto de a pôr contra mim. A Amélia achava que eu lhe tinha dado a nota de forma errada, para prejudicar a Diana", relata.
"Revi o teste com a Amélia e ela pediu-me desculpa e teve consciência de que a Diana estava mais uma vez a manipulá-la. Numa turma de 30 só tinha uma ou duas amigas", continua.
Maria Filipa Sousa diz que achou estranho quando viu o apelo nas redes sociais e percebeu que a Diana falava da mãe no passado. "Às vezes via-lhe nódoas negras e ela chorosa dizia que tinha sido a filha", conta Maria referindo-se aos anos de 2015 e 2016.
"Notava nos últimos meses antes da morte a Amélia já não era a mesma, mais triste, mais fechada. A alegria dela tinha desaparecido. Uma vez também me chamou à noite para ajudar num episódio em casa, com a filha. Tinha havido uma grande discussão e tinha sido agredida fisicamente pela Diana", continua.
Segundo Maria, a Amélia dizia muitas vezes: "Se algum dia me acontecer alguma coisa pensem logo que os autores podem ser eles".
"Quando estava sentida dizia que ia mudar o testamento e isso assustava a Diana. No inicio quando se juntaram faziam tudo certinho. Ajudavam a Amélia e aí ela mudou o testamento deixando tudo a Diana. Nos últimos dias antes da morte, insatisfeita, ameaçou mudar o testamento", continua Maria Sousa.
A professora revela ainda que Amélia queria adotar uma criança: "Eu quero adotar uma criança porque eu quero muito ser mãe para ter alguém a quem deixar os meus bens", dizia.
"A Amélia é que os sustentava. Eles queriam uma mesada fixa dada pela Amélia", diz a testemunha enquando Diana acena com a cabeça na negativa.
16h36 - 16h27 -
16h26 - 16h25 - 16h20 - Recomeça o julgamento. 13h32 - 12h20 -
"Diana também chegou a ir cobrar a renda sozinha, antes da morte. Depois do desaparecimento, Diana foi avisar a inquilina sobre o desaparecimento. Foi lá com o Iuri. Ele foi lá a dia 3", descreve Sílvia, referindo que Iuri mencionou o pagamento, dando a entender que queria receber o dinheiro da renda e que não os achou nada afetados com o desaparecimento.
"Uma vez apareceu para cobrar a renda muito coxa, dorida e debilitada e Amélia disse 'são circunstâncias da vida'. Achei estranho e fiquei a pensar naquilo", descreve.
12h15 -
12h03 -
"Sobre o desaparecimento e relação entre vítima e arguidos: o apelo levou-nos a ver o caso como um desaparecimento. Com a informação nas redes sociais e no terreno desconfiámos de algo como crime", conta.
10h50 -
A inspetora explica as perícias realizadas no decorrer da investigação. "Estava de prevenção nos homicídios. Foi encontrado um cadáver carbonizado. Vi que a área tinha sido ardida por ação humana. Tinha sido utilizado um acelerante, fiz recolha do cadáver analisado e que coincidia com um desaparecimento na zona", conta.
A inspetora conta que se dirigiram à casa de Amélia. "Entrámos e vimos que na varanda havia roupa e sapatos com cheiro muito predominante a lixívia. Inspecionámos e vimos a existência de peças com sangue. Recolhemos equipamentos informáticos e telemóveis", continua.
Foi encontrado sangue na bagageira do carro da família. "O cheiro na casa era ativo e a insenso. A roupa na varanda estava molhada e cheirava muito a lixívia. Na varanda do quarto dos arguidos. Sapatos do Iuri, roupa dele, sapatos e roupa dela. Sangue visível a olho nu nos sapatos dele. Na t-shirt dele também", repete a inspetora.
Os arguidos foram levados para interrogatório. Assim que o corpo de Amélia foi encontrado, Iuri confessou o crime e os inspetores conseguiram fazer toda a reconstrução do crime com a ajuda do arguido.
Depois de toda a informação dada por Iuri, os inspetores recolhem informação junto da comunidade e dos colegas da vítima. Amélia "dizia que tinha uma relação problemática com a filha e que tinha sido agredida fisicamente e que não tinham a melhor relação", relata a inspetora sobre o que ouviu na comunidade.
"Vimos depois que havia uma denúncia na PSP do Montijo feita por Amélia contra a Diana em 2014", continua.
O martelo usado no crime nunca foi encontrado, assim como o telemóvel.
"Após três horas no local do cadáver refiro que olhando para o pé, a única parte do corpo que não ardeu, pareceu-me ser uma mulher pelas unhas do pé pintadas", descreve Fátima que refere ainda que as perícias revelaram que se tratava de Amélia Fialho.
10h45 -
José Carraça referiu que nunca privou com os arguidos e que "nem sequer os conhecia". 10h40 -
No caso de Iuri, a justificação, segundo o advogado do arguido, prende-se com o facto de o mesmo se encontrar sob efeito de medicação. 09h30 - 09h10 -
O Tribunal de Almada começa esta quinta-feira a julgar, pelas 09h30, Diana Fialho e Iuri Mata, o casal acusado pelo Ministério Público (MP) de matar a mãe adotiva da arguida, no Montijo, em setembro de 2018.
Os arguidos requereram a abertura de instrução, mas, em 10 de maio, o juiz de instrução criminal (JIC) Carlos Delca, do Tribunal de Instrução Criminal do Barreiro, decidiu levá-los a julgamento nos exatos termos da acusação do MP.
O juiz sublinhou que existem "indícios mais do que suficientes" para os levar a julgamento, tais como o cadáver encontrado, as imagens de Diana Fialho e Iuri Mata a comprar gasolina e um isqueiro, as roupas do arguido, o sangue encontrado na casa onde residiam e o relatório policial do ADN da vítima nas roupas dos arguidos.
Segundo o despacho de acusação do MP, os arguidos "gizaram um plano" que consistia em matar Amélia Fialho, mãe adotiva da arguida, pois a relação entre ambas "era marcada por discussões e desacatos constantes, por causa da relação amorosa entre os arguidos".
O MP conta que foi no seguimento do plano que ambos os arguidos tinham criado, que, em 01 de setembro de 2018, ao jantar, o casal colocou na bebida da vítima "fármacos que a puseram a dormir" e, de seguida, desferiu "vários golpes utilizando um martelo", que causaram a morte da professora.
Após o homicídio, relata a acusação, os arguidos embrulharam o corpo da mãe adotiva de Diana Fialho, colocaram-no na bagageira de um carro e deslocaram-se até um terreno agrícola, no qual, com recurso a gasolina, "atearam fogo ao cadáver".
Foi em 07 de setembro de 2018 que a filha adotiva e o genro da vítima foram detidos e presentes a tribunal, o qual decretou a medida de coação de prisão preventiva. A arguida está no Estabelecimento Prisional de Tires, enquanto o homem no do Montijo.
A vítima, de 59 anos e professora de Físico-Química na Escola Secundária Jorge Peixinho, no Montijo, foi encontrada morta em 05 de setembro de 2018, em Pegões, no concelho do Montijo, distrito de Setúbal.
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