Amélia Fialho queria adotar uma criança para "ter a quem deixar os bens"

Diana Fialho e Iuri Mata recusam falar em julgamento. Inspetores revelam pormenores do crime.

04 de julho de 2019 às 06:10
Amélia Fialho, com a filha adotiva, Diana Fialho, e o genro, Iuri Mata. Jovens são os principais suspeitos da morte da professora Foto: O Setubalense
Diana Fialho Foto: Pedro Ferreira
Diana Fialho recusa assumir crime de homicídio da mãe Foto: CMTV
Diana Fialho está em preventiva Foto: Pedro Catarino
Diana Fialho passa os dias na prisão a fazer tapetes de arraiolos e a ver televisão Foto: CMTV

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16h46 - Maria Filipa Sousa, professora de físico-química na escola Jorge Peixinho, amiga de Amélia Fialho e foi professora de Diana no 11.º ano. "Como aluna era razoável de notas. Notava que tinha alguma ambição que não conseguia alcançar. Ela não teve uma nota ao agrado dela e eu dava-me muito bem com a Amélia. Ela manipulou a mãe ao ponto de a pôr contra mim. A Amélia achava que eu lhe tinha dado a nota de forma errada, para prejudicar a Diana", relata. 

"Revi o teste com a Amélia e ela pediu-me desculpa e teve consciência de que a Diana estava mais uma vez a manipulá-la. Numa turma de 30 só tinha uma ou duas amigas", continua.

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Maria Filipa Sousa diz que achou estranho quando viu o apelo nas redes sociais e percebeu que a Diana falava da mãe no passado.   

"Às vezes via-lhe nódoas negras e ela chorosa dizia que tinha sido a filha", conta Maria referindo-se aos anos de 2015 e 2016.

"Notava nos últimos meses antes da morte a Amélia já não era a mesma, mais triste, mais fechada. A alegria dela tinha desaparecido. Uma vez também me chamou à noite para ajudar num episódio em casa, com a filha. Tinha havido uma grande discussão e tinha sido agredida fisicamente pela Diana", continua. 

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Segundo Maria, a Amélia dizia muitas vezes: "Se algum dia me acontecer alguma coisa pensem logo que os autores podem ser eles". 

"Quando estava sentida dizia que ia mudar o testamento e isso assustava a Diana. No inicio quando se juntaram faziam tudo certinho. Ajudavam a Amélia e aí ela mudou o testamento deixando tudo a Diana. Nos últimos dias antes da morte, insatisfeita, ameaçou mudar o testamento", continua Maria Sousa.

A professora revela ainda que Amélia queria adotar uma criança: "Eu quero adotar uma criança porque eu quero muito ser mãe para ter alguém a quem deixar os meus bens", dizia. 

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"A Amélia é que os sustentava. Eles queriam uma mesada fixa dada pela Amélia", diz a testemunha enquando Diana acena com a cabeça na negativa. 

16h36 - Helena Maria é a segunda testemunha. É ex-mulher do assistente, primo de Amélia Fialho. Diz que os primos tinham uma relação normal e que se encontravam nas épocas festivas. 

16h27 - A prima diz que Amélia chegou a contar que Diana a agredia e que era um pouco rebelde. 

16h26 - Diana e Iuri continuam a falar baixo enquanto a testemunha fala e até esboçam sorrisos um para o outro. 

16h25 - Fala Maria da Conceição Carraça, prima de Amélia, que não estava com a professora há 10/15 anos. 

16h20 - Recomeça o julgamento. Diana e Iuri estão muito próximos e trocam algumas palavras. Ao lado um do outro na sala continuam a conversar enquanto a primeira testemunha se apresenta.

13h32 - Pausa no julgamento. Recomeça às 14h30. Diana Fialho chora.

12h20 - Sílvia, que trabalha numa lavandaria é testemunha. Conhece os arguidos e a vítima. É mãe da inquilina de Amélia, no Montijo. Era ela quem pagava a renda da filha à professora. "Amélia ia todos os meses lá a casa receber o pagamento. No início era sozinha mas um ano antes do crime, Amélia ia acompanhada pela Diana e depois também por Iuri", conta.

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"Diana também chegou a ir cobrar a renda sozinha, antes da morte. Depois do desaparecimento, Diana foi avisar a inquilina sobre o desaparecimento. Foi lá com o Iuri. Ele foi lá a dia 3", descreve Sílvia, referindo que Iuri mencionou o pagamento, dando a entender que queria receber o dinheiro da renda e que não os achou nada afetados com o desaparecimento.

"Uma vez apareceu para cobrar a renda muito coxa, dorida e debilitada e Amélia disse 'são circunstâncias da vida'. Achei estranho e fiquei a pensar naquilo", descreve.

12h15 - Nuno, filho dos donos do terreno onde foi encontrado o corpo e caseiro, relata o que aconteceu: "Vi algo com moscas e mexi num pau. Apercebi-me que era um corpo de uma pessoa. Liguei para a GNR".

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12h03 - Fátima Mira termina. Começa a falar Vítor Paiva, diretor da PJ de Setúbal que coordenou a investigação.

"Sobre o desaparecimento e relação entre vítima e arguidos: o apelo levou-nos a ver o caso como um desaparecimento. Com a informação nas redes sociais e no terreno desconfiámos de algo como crime", conta.

10h50 - Começou a falar Fátima Mira, Inspetora da PJ de Setúbal.

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A inspetora explica as perícias realizadas no decorrer da investigação. "Estava de prevenção nos homicídios. Foi encontrado um cadáver carbonizado. Vi que a área tinha sido ardida por ação humana. Tinha sido utilizado um acelerante, fiz recolha do cadáver analisado e que coincidia com um desaparecimento na zona", conta.

A inspetora conta que se dirigiram à casa de Amélia. "Entrámos e vimos que na varanda havia roupa e sapatos com cheiro muito predominante a lixívia. Inspecionámos e vimos a existência de peças com sangue. Recolhemos equipamentos informáticos e telemóveis", continua.

Foi encontrado sangue na bagageira do carro da família. "O cheiro na casa era ativo e a insenso. A roupa na varanda estava molhada e cheirava muito a lixívia. Na varanda do quarto dos arguidos. Sapatos do Iuri, roupa dele, sapatos e roupa dela. Sangue visível a olho nu nos sapatos dele. Na t-shirt dele também", repete a inspetora.

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Os arguidos foram levados para interrogatório. Assim que o corpo de Amélia foi encontrado, Iuri confessou o crime e os inspetores conseguiram fazer toda a reconstrução do crime com a ajuda do arguido.

Depois de toda a informação dada por Iuri, os inspetores recolhem informação junto da comunidade e dos colegas da vítima. Amélia "dizia que tinha uma relação problemática com a filha e que tinha sido agredida fisicamente e que não tinham a melhor relação", relata a inspetora sobre o que ouviu na comunidade.

"Vimos depois que havia uma denúncia na PSP do Montijo feita por Amélia contra a Diana em 2014", continua.

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O martelo usado no crime nunca foi encontrado, assim como o telemóvel.

"Após três horas no local do cadáver refiro que olhando para o pé, a única parte do corpo que não ardeu, pareceu-me ser uma mulher pelas unhas do pé pintadas", descreve Fátima que refere ainda que as perícias revelaram que se tratava de Amélia Fialho.

10h45 - João Manuel Fialho Carraça, primo de Amélia Fialho e um dos assistentes no processo, foi ouvido neste julgamento. O homem pede uma indemnização cível pela perda da prima direita. 

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José Carraça referiu que nunca privou com os arguidos e que "nem sequer os conhecia".

10h40 - Começou o julgamento de Diana Fialho e Iuri Mata. Nenhum dos arguidos vai falar. 

No caso de Iuri, a justificação, segundo o advogado do arguido, prende-se com o facto de o mesmo se encontrar sob efeito de medicação.

09h30 - Iuri Mata chegou ao tribunal. Os dois arguidos já se encontram nas instalações onde vão começar a ser julgados. 

09h10 - Diana Fialho chegou ao Tribunal de Almada. A arguida entrou pela garagem do edifício numa carrinha celular.

O Tribunal de Almada começa esta quinta-feira a julgar, pelas 09h30, Diana Fialho e Iuri Mata, o casal acusado pelo Ministério Público (MP) de matar a mãe adotiva da arguida, no Montijo, em setembro de 2018.

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Os arguidos requereram a abertura de instrução, mas, em 10 de maio, o juiz de instrução criminal (JIC) Carlos Delca, do Tribunal de Instrução Criminal do Barreiro, decidiu levá-los a julgamento nos exatos termos da acusação do MP.

O juiz sublinhou que existem "indícios mais do que suficientes" para os levar a julgamento, tais como o cadáver encontrado, as imagens de Diana Fialho e Iuri Mata a comprar gasolina e um isqueiro, as roupas do arguido, o sangue encontrado na casa onde residiam e o relatório policial do ADN da vítima nas roupas dos arguidos.

Segundo o despacho de acusação do MP, os arguidos "gizaram um plano" que consistia em matar Amélia Fialho, mãe adotiva da arguida, pois a relação entre ambas "era marcada por discussões e desacatos constantes, por causa da relação amorosa entre os arguidos".

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O MP conta que foi no seguimento do plano que ambos os arguidos tinham criado, que, em 01 de setembro de 2018, ao jantar, o casal colocou na bebida da vítima "fármacos que a puseram a dormir" e, de seguida, desferiu "vários golpes utilizando um martelo", que causaram a morte da professora.

Após o homicídio, relata a acusação, os arguidos embrulharam o corpo da mãe adotiva de Diana Fialho, colocaram-no na bagageira de um carro e deslocaram-se até um terreno agrícola, no qual, com recurso a gasolina, "atearam fogo ao cadáver".

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Foi em 07 de setembro de 2018 que a filha adotiva e o genro da vítima foram detidos e presentes a tribunal, o qual decretou a medida de coação de prisão preventiva. A arguida está no Estabelecimento Prisional de Tires, enquanto o homem no do Montijo.

A vítima, de 59 anos e professora de Físico-Química na Escola Secundária Jorge Peixinho, no Montijo, foi encontrada morta em 05 de setembro de 2018, em Pegões, no concelho do Montijo, distrito de Setúbal.

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