Caso Bolama: Tribunal incompetente
O Tribunal Cível de Lisboa declarou-se “incompetente” para julgar as indemnizações no âmbito do ‘Bolama’, navio naufragado em 1991. Decorridos que foram 14 anos, os juízes remeteram agora o processo para o Tribunal Marítimo de Lisboa.
Indignado com esta demora, Joaquim Piló, presidente do Sindicato Livre dos Pescadores e Profissões Afins, admite “estudar com os advogados o pedido de responsabilidades” pelo atraso no processo.
Camarada de profissão da maioria das 30 vítimas (dos quais apenas oito corpos foram recuperados), o sindicalista lamenta que “um Tribunal leve 14 anos a considerar-se incompetente para julgar um caso”, lembrando que a demora só favorece as entidades visadas pelas indemnizações.
Num primeiro julgamento, no Tribunal Marítimo, foi reconhecida razão à seguradora Fidelidade, por, explica Joaquim Piló, “o navio não oferecer garantias de estabilidade”.
Em consequência do primeiro processo, sindicato e famílias das vítimas avançaram com pedidos de indemnização ao Estado (Capitania do Porto de Lisboa) por autorizar a saída do ‘Bolama’; à empresa responsável pela vistoria e certificado de navegabilidade (RINAVE); e ao consórcio proprietário do ‘Bolama’, liderado, segundo o sindicalista, “pela empresa Salvador Caetano, cujo gerente, João Rebelo, morreu no naufrágio e o corpo nunca apareceu”.
Joaquim Piló entende ainda que ficou por apurar o “tipo de carga que seguia a bordo” do ‘Bolama’.
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