“Cérebro” do grupo de falsos inspetores da PJ em prisão preventiva

Sacaram 450 mil euros e falsas buscas domiciliárias no norte do País.

13 de janeiro de 2026 às 16:04
PJ deteve o grupo Foto: Helder Santos/Aspress
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Rui Manuel Ferreira da Rocha, de 48 anos, tido como o “cérebro” do grupo de falsos inspetores da Polícia Judiciária que, entre julho e setembro de 2024, conseguiu lucrar mais de 450 mil euros com seis falsas buscas domiciliárias na zona norte, está em prisão preventiva desde segunda-feira à tarde, no estabelecimento prisional de Braga.

“Cavaleiro”, alcunha pela qual é conhecido, tinha fugido para França após o último crime, em setembro de 2024. Foi detido em julho do ano passado pelas autoridades francesas, no âmbito de um mandado de detenção europeu, mas estava em liberdade. Esta segunda-feira, acompanhado por um advogado, Rui Manuel Rocha apresentou-se voluntariamente para ser interrogado no Tribunal de Guimarães. Prestou declarações, negou ter tido qualquer intervenção nos crimes. Mas o juiz que o ouviu em primeiro interrogatório judicial mandou-o para a cadeia. A prova é forte e coloca “Cavaleiro” na preparação de todas as falsas buscas que o grupo levou a cabo.

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Os comparsas de Rui Manuel, três também em prisão preventiva, estão a ser julgados desde setembro do ano passado. O tribunal decidiu separar o processo de “Cavaleiro”, que deverá agora ser julgado à parte.

O grupo foi desmantelado em setembro e novembro de 2024 pela Polícia Judiciária de Braga numa operação que denominaram de “faux Javert”.

Em seis buscas domiciliárias, na posse de mandados de busca que os próprios falsificavam, usando coletes com os dizeres “Polícia judiciária” e crachás iguais aos usados pela PJ, conseguiram lucrar mais de 450 mil euros em dinheiro e joias.

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As vítimas acreditavam estar na presença de verdadeiros polícias e colaboravam nas buscas. Só depois de os falsos polícias saírem das suas habitações e quando contactavam com as autoridades as vítimas percebiam que tinham sido roubadas.

Em Tribunal, as vítimas descreveram o modo de atuação do grupo e referiram que durante as falsas buscas, os operacionais ligavam a um alegado “chefe”. A investigação acredita que o “chefe” seria Rui Manuel Rocha, agora detido. A acusação do Ministério Público diz que “Cavaleiro” “acompanhava as buscas à distância, sem nunca nelas participar presencialmente.

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