Chefe da arbitragem manda GNR para travar jornalistas
Família revoltada com reportagem sobre enriquecimento aparentemente rápido. Várias perseguições ao Correio da Manhã.
A equipa de reportagem do Correio da Manhã que esteve durante vários dias a investigar a situação financeira de Luciano Gonçalves - em que há indícios de património incongruente com os vencimentos e uma alteração brusca do nível de vida - foi perseguida e impedida de abandonar um parque de estacionamento por familiares do presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), que não gostaram do trabalho jornalístico que estava a ser desenvolvido.
Numa viagem entre a Batalha e Leiria, os jornalistas detetaram um carro estranho no seu encalço. Reconheceram a viatura como um dos carros que tinham visto a entrar na moradia de Luciano Gonçalves, na aldeia de Alcanadas. Após algumas mudanças aleatórias de direção e velocidade, confirmou-se que a viatura, que está em nome da empresa dos filhos do chefe da arbitragem da FPF, seguia em perseguição do carro de reportagem descaracterizado do CM. A família tinha percebido a reportagem, após algumas conversas com vizinhos na aldeia. Depois de alguns quilómetros de tensão, voltas consecutivas em rotundas e inversões de marcha, foi possível despistar a viatura.
Mais tarde este mesmo carro foi visto estacionado junto à sede da empresa da mulher de Luciano Gonçalves - a Sonhos Discretos Lda. - na zona industrial da Jardoeira.
Mas os percalços estavam longe de terminar. Perto da casa antiga de Luciano Gonçalves, na aldeia das Alcanadas, o próprio chefe da arbitragem e elementos da família bloquearam a saída da equipa do CM de um parque de estacionamento, de forma a impedir que a reportagem pudesse continuar. A GNR foi acionada para o local e os jornalistas foram identificados, ainda que tenha ficado claro a todos os intervenientes que nenhuma irregularidade tinha sido cometida. Falámos na altura com Luciano Gonçalves e identificámo-nos como jornalistas, revelando que estávamos no exercício legítimo de um dever: o dever de informar. Luciano Gonçalves conduzia um Mercedes GLB da Federação, a mulher conduzia também um Mercedes, de gama alta.
E TAMBÉM
Denunciou
Foi Duarte Gornes quem denunciou as suspeitas de conivências na arbitragem que envolvem Luciano Gonçalves e Paulo Lopo. As acusações foram-lhe transmitidas por outros árbitros e Duarte Gomes deu conta de tudo o que sabia à Federação. O processo foi arquivado, mas a informação foi passada à Judiciária.
Provas proibidas
Muitas das provas apresentadas à FPF não foram usadas por serem provas proibidas em processo disciplinares. Diferente é no processo-crime.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt