Chile: uma fonte para a avaliação

Há várias semelhanças entre o sistema de avaliação de professores chileno e o português. Nas últimas semanas os e-mails e blogues relacionados com a Educação têm sido inundados de mensagens que apontam para semelhança entre os dois modelos.

31 de março de 2008 às 00:30
Chile: uma fonte para a avaliação Foto: João Miguel Rodrigues
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Os objectivos e os instrumentos da avaliação ou algumas das suas consequências são iguais nos dois países. Há algumas semanas, a ministra da Educação admitiu que o Governo se foi inspirar em modelos estrangeiros para ‘desenhar’ o tão polémico sistema de avaliação de professores.

Da leitura comparativa dos dois sistemas, há uma diferença que salta à vista: a periodicidade da avaliação. Enquanto em Portugal os professores serão avaliados em cada período de dois anos, no Chile a avaliação é de quatro em quatro anos. No entanto, no que respeita aos instrumentos de avaliação, por exemplo, as semelhanças são claras: existe auto-avaliação, uma entrevista pelo professor avaliador, a avaliação da direcção da escola. Em vez das aulas assistidas que o modelo português preconiza, no Chile uma aula é gravada por profissionais credenciados.

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Se em Portugal a principal consequência da avaliação é a contagem ou não do tempo de serviço para a progressão na carreira, do outro lado do Atlântico os melhores professores recebem um abono, que pode ir até 25% do salário mínimo nacional. Para os professores com piores resultados, os dois sistemas sugerem a criação de acções de formação contínua. Com várias notas negativas, os professores saem da carreira, tanto no Chile como em Portugal.

INSPIRAÇÃO EM VÁRIOS PAÍSES

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, afirmou, em entrevista recente ao ‘Acção Socialista’, que o Governo procurou "compatibilizar uma avaliação por objectivos com uma avaliação de competências", tendo para isso buscado inspiração a países como "Inglaterra, Espanha, Holanda e Suécia". A governante explicou que os sistemas de avaliação de desempenho dos professores no Continente europeu "são todos diferentes", mas que os objectivos dos vários sistemas acabam por ser similares.

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No Chile, os professores com bom desempenho recebem uma ‘bolsa’ mensal, indexada ao salário mínimo. No último ano lectivo foram aprovadas bolsas para mais de 350 professores.

DESCUBRA AS DIFERENÇAS

LINHAS GERAIS

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PORTUGAL

Melhoria dos resultados escolares e da qualidade das aprendizagens; proporcionar desenvolvimento pessoal e profissional; avaliação do docente de dois em dois anos

CHILE 

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Avaliação orientada para melhorar o trabalho pedagógico e promover o desenvolvimento profissional contínuo; avaliação de cada docente de 4 em 4 anos

INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO

PORTUGAL

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Fichas de auto-avaliação; entrevista pelo professor avaliador; avaliação do coordenador de departamento curricular e da direcção executiva; assistência do avaliador a pelo menos três aulas

CHILE

Fichas de auto-avaliação; entrevista pelo professor avaliador; avaliação do director e do chefe técnico da escola; portfólio, que inclui a gravação em vídeo de uma aula

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NÍVEIS DE DESEMPENHO

PORTUGAL

Excelente; Muito Bom; Bom; Regular; Insuficiente

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CHILE

Destacado; Competente; Básico; Insatisfatório

CONSEQUÊNCIAS DA AVALIAÇÃO

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PORTUGAL

 Excelente: duas vezes seguidas reduz em quatro anos o tempo de serviço para acesso a Titular; quatro vezes seguidas dá direito a prémio de desempenho

 Excelente e Muito Bom: duas vezes seguidas reduz três anos;

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 Muito Bom: duas avaliações seguidas reduz dois anos;

 Bom Tempo vale para progredir

 Regular/ Insuficiente: Não progride; proposta Acção de Formação Contínua

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 Insuficiente: Não renova contrato; duas classificações seguidas ou três interpoladas (quadro) determinam a não atribuição de tempo lectivo e a reconversão profissional

CHILE

 Destacado ou Competente: recebe um abono mensal; tem de realizar prova de conhecimentos disciplinares e pedagógicos. O abono dura entre dois e quatro anos, entregue no ano seguinte à prova, e varia de acordo com o desempenho na avaliação e na prova, entre cinco e 25 por cento do Salário Mínimo Nacional;

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 Insatisfatório: repete a avaliação no ano seguinte e submete-se a Planos de Superação Profissional (Formação Contínua); se na 2ª avaliação obtiver Insatisfatório, deixa de dar aulas durante um ano; à 3.ª avaliação Insatisfatória sai da carreira, mas recebe um abono.

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