Colhido na estrada em noite de Natal
A primeira baixa na estrada no dia de Natal registou-se pelas 03h40, com um homem de 78 anos a ser colhido mortalmente quando caminhava pela berma do IC21, no sentido Barreiro-Coina. O trágico acidente teve lugar junto à localidade de Santo António da Charneca, ao quilómetro 3,7 daquela via, logo após a passagem das portagens de Coina, numa altura em que muitas pessoas já regressavam de carro a casa após celebrarem a Consoada em casa de amigos e familiares.
A morte do idoso junta-se à de um cidadão ucraniano, que, ainda na véspera de Natal, perdeu a vida numa colisão frontal, na Estrada Nacional 18, à saída de Estremoz. A ‘Operação Natal’ só tinha contabilizado estes dois mortos até às 20h00 de ontem, sendo que os restantes dados divulgados pela GNR eram ainda referentes às 00h00 de sexta-feira: 791 acidentes, 19 feridos graves e 193 ligeiros. Há mais acidentes e menos mortos do que no ano passado (ver caixa).
Ainda não são totalmente conhecidas as causas que levaram à morte do idoso que caminhava no IC21 – proibido a peões –, junto à Mata Nacional da Machada. No entanto, este atropelamento terá ocorrido depois de uma viatura ligeira ter saído da faixa de rodagem, colhendo o homem na berma, projectando-o cerca de 20 metros. A vítima, que morava nas imediações do local, teve morte imediata.
Anteontem, por seu lado, a única vítima mortal foi um cidadão ucraniano, 27 anos, residente em Estremoz. À saída daquela cidade, já na Estrada Nacional 18, no sentido de Évora, numa curva considerada perigosa logo a seguir à passagem de caminho-de-ferro, dois veículos colidiram frontalmente. A vítima acabou por não resistir aos ferimentos e morreu, enquanto a condutora da outra viatura, uma mulher na casa dos 60 anos, sofreu ferimentos graves. A mulher apresentava múltiplas fracturas e foi de imediato transportada ao Hospital de Évora, mas, segundo o CM apurou, não corre perigo de vida.
Já na localidade de Famalicão da Serra, no distrito da Guarda, uma mulher sofreu ferimentos graves quando, ontem, pelas 06h50, foi colhida pelo tractor agrícola conduzido pelo próprio irmão. Por razões que ainda não são bem claras, o tractor colheu a mulher quando esta compunha a fogueira de Natal. Foi transportada ao Hospital Sousa Martins, na Guarda.
MAIS 86 ACIDENTES ESTE ANO
Até às 00h00 de sexta-feira, os cerca de 2600 militares da GNR destacados diariamente nas estradas portuguesas – distribuídos por 1200 patrulhas desde quarta-feira, dia em que começou a ‘Operação Natal’ – registaram um total de 791 acidentes, com um morto na Estrada Nacional 18 – o de ontem, no IC21, Barreiro, não está contabilizado –, vinte feridos graves e 193 feridos ligeiros. Apesar do registo de menos um morto nas estradas, esta época tem sido marcada por mais acidentes. No primeiro dia da ‘Operação Natal’, houve registo de 405 acidentes, mais 86 do que no ano passado, com um total de cinco feridos graves e 92 ligeiros.
Na véspera de Natal, o número de acidentes de viação também excedeu em 97 os números de 2008. Dos 386 acidentes, resultaram um morto e 111 feridos graves.
GNR COMPENSA MILITARES COM QUATRO FOLGAS
O Comando-Geral da GNR decidiu dar aos militares em patrulha no Natal e Ano Novo quatro dias de folga durante o mês de Janeiro. Recorde-se que o Comando-Geral, alguns dias antes do Natal, comunicou aos postos territoriais que os militares destacados para as patrulhas não iriam este ano poder gozar o Natal e Ano Novo com as respectivas famílias – estes quatro dias de folga servem de compensação. Nos últimos 29 anos, e por uma questão de tradição, os militares organizavam-se de modo a que fossem divididos nestas duas datas festivas, a ponto de metade deles poder gozar, junto da família, o Natal e a outra metade o Ano Novo. Isso permitiria que ficassem de folga durante um total de cinco dias.
Este ano, os militares da GNR foram apanhados de surpresa com a medida excepcional do Comando-Geral, que, no entanto, na passada quarta-feira, comunicou que em Janeiro iriam ser compensados com quatro dias de folga.
PORMENORES
GNR LEVANTA 773 AUTOS
Na quinta-feira, os militares da GNR fiscalizaram um total de 6055 condutores, elaborando 773 autos de contra-ordenação, dos quais 308 correspondem a infracções graves e 61 consideradas muito graves.
EXCESSOD DE VELOCIDADE
No controlo da GNR, foram detectados 178 condutores a conduzir em excesso de velocidade, num total de 15 128 veículos controlados por radar. Também 22 condutores ou passageiros foram apanhados sem cinto de segurança.
FERIDOS NO LIVRAMENTO
Um choque entre três viaturas, no Livramento, Leiria, provocou ferimentos graves em duas pessoas, entre elas uma criança, que foram levadas para o Hospital de Leiria. Um outro adulto e outra criança sofreram ferimentos ligeiros.
TRÂNSITO AMANHÃ
A maior parte dos condutores que se ausentaram na quadra natalícia têm o regresso agendado para o dia de amanhã. As autoridades alertam os condutores, não só para a grande afluência esperada nas estradas, mas também para as condições atmosféricas.
"O ESTADO DESAPARECEU DAS NOSSAS ESTRADAS": Manuel João Ramos, Pres. Assoc. Cidadãos Automobilizados sobre o aumento do número de acidentes no Natal
Correio da Manhã – Como analisa o facto de se terem registado menos mortes mas mais acidentes no Natal?
Manuel João Ramos – O sentido de insegurança nas estradas mantém-se, mas o facto de haver carros com medidas de segurança mais modernas, aliado a uma menor velocidade, ajuda a evitar mortes e feridos. Mas se o número de acidentes aumenta, é sinal de que a fiscalização das autoridades está a falhar.
– Este ano até existem mais militares na estrada.
– O civismo não é algo que se mude de um dia para o outro. O que é certo é que as pessoas se sentem impunes na estrada, daí que o número de acidentes não diminua. O modo como a BT foi extinta foi desastroso.
– Acha que as campanhas rodoviárias não têm conseguido passar a mensagem?
– Desde 2005 que só vimos desastres em matéria de comunicação e publicidade por parte do Estado. As últimas campanhas não têm passado a mensagem desejada, porque são muito genéricas e revelam que há pouco dinheiro no Governo para investir neste campo. Isso revela que o Governo quer mostrar que está a fazer algo, mas que ele próprio não acredita no melhoramento dos resultados na sinistralidade. As campanhas devem ser dirigidas a comportamentos específicos, tal como fazem os ingleses.
– O Estado tem, então, a seu ver, grande responsabilidade?
– O Estado simplesmente desapareceu das nossas estradas. Limita--se a inaugurar troços de auto-estradas e a anunciar para o futuro grandes obras.
– O mau tempo justifica o aumento dos acidentes?
– Não. Bem pelo contrário. Se as condições atmosféricas são muito adversas, as pessoas têm tendência a ter um comportamento na estrada mais defensivo, com mais cautelas.
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