Testemunha da 'Operação Lex' diz ter criado "relação de amizade" com advogado Santos Martins
Foram ouvidos esta terça-feira em tribunal a ex-mulher de um amigo de Rui Rangel, bem como um amigo de José Santos Martins.
Decorreu esta terça-feira mais uma sessão do julgamento da Operação Lex, no Tribunal Militar de Lisboa. Nesta sessão do processo, que visa o antigos juízes desembargadores Rui Rangel, Fátima Galante e Luís Vaz das Neves e o ex-presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, foram ouvidas como testemunhas figuras próximas dos arguidos, incluindo a ex-mulher de um amigo de Rui Rangel, bem como Orlando Carvalho, economista e amigo de longa data do advogado José Santos Martins, alegado 'testa-de-ferro' de Rangel.
Durante a manhã, Cristina Martins afirmou que havia uma empresa de investimentos que seria da família de Rui Rangel, assim como um financiamento no banco em que o ex-marido trabalhava.
O ex-marido de Cristina Martins, Hugo Miguel Bernardino Borges, era amigo de Rui Rangel e de José Santos Martins, cuja área de trabalho era identificar imóveis em dificuldade financeira e adquiri-los para negócio. Seria a pessoa que faria a aprovação das linhas de crédito.
Foi questionada sobre quem levantava o dinheiro, respondendo que durante o início dos depósitos era a própria, mas mais tarde deixou de ter as contas em seu nome, após ter pedido várias vezes que fosse removido, incluindo a Rui Rangel. O Ministério Público questionou quem pagava as rendas do apartamento. “O Dr. Santos Martins”, responde.
Após o almoço, foi a vez de depor Orlando Carvalho, que indicou conhecer Santos Martins "há quase 40 anos", tendo sido criada uma "relação de amizade". "Quando ele precisava de um técnico oficial de contas ele recomendava-me e quando um cliente precisava de serviços de advocacia eu indicava-o", diz.
Questionado se conhecia Rangel e Fátima Galante, a testemunha responde que conhecia o arguido. Já sobre Fátima Galante, Orlando Carvalho refere que apenas falavam ao telefone e por e-mail.
Segundo a acusação, os ex-desembargadores utilizaram as suas funções na Relação de Lisboa para obterem vantagens indevidas, para si ou para terceiros, que dissimularam.
Rui Rangel está acusado de corrupção passiva para ato ilícito, abuso de poder, recebimento indevido de vantagem, usurpação de funções, fraude fiscal e falsificação de documento e Fátima Galante de corrupção passiva para ato ilícito, abuso de poder, fraude fiscal e branqueamento de capitais. Vaz das Neves responde por corrupção passiva para ato ilícito e abuso de poder, enquanto Luís Filipe Vieira, ex-presidente do Benfica, está acusado de recebimento indevido de vantagem.
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