Comércio encerrado em Leiria enquanto moradores procuram resolver estragos
Postos de abastecimento na cidade não têm combustível e só alguns supermercados estão a funcionar.
Leiria parece uma cidade em estado de sítio, com o comércio encerrado e moradores a tentarem resolver os danos sofridos, sendo ainda visíveis os muito estragos provocados pela depressão Kristin, um dia depois.
Num prédio à entrada do centro de Leiria, a grua de uma obra caiu sobre vários veículos e atingiu ainda a varanda de um apartamento. Os prejuízos são incalculáveis afirmam algumas das vítimas.
"Para o seguro, a viatura pode não valer muito, para mim tem um valor enorme", desaba Joaquim Vale, enquanto olha para o seu carro destruído. Recorda o "estrondo" que ouviu durante a madrugada, enquanto a depressão Kristin fustigava, sobretudo, a zona urbana de Leiria.
Neste prédio ninguém entra nem sai de carro. O acesso à garagem está impedido pela grua de grandes dimensões. Mesmo os veículos que escaparam ilesos, estão retidos, acrescenta António Pereira, outro morador, cuja viatura do emprego não foi atingida, mas não consegue sair.
Em pior estado encontra-se o apartamento de Bruno Chaves, no último andar. Uma parte da grua atingiu a sua varanda, que ficou parcialmente destruída. Dentro da sala e ainda mais na cozinha, as paredes exibem buracos.
Enquanto o casal conversava com a agência Lusa, partes de reboco descolaram-se do teto. A chuva pinga nas áreas mais afetadas. "Foi assustador. A minha filha de 5 anos acordou a chorar. O meu filho do meio entrou em desespero quando viu os estragos", relatou Bruno Chaves, que tenta insistentemente contactar o seguro.
"Desde o início do temporal tive sempre receio da grua. Virei as costas para dizer que ela ia cair e de repente ouço um estrondo enorme. Quando olhei vi que tinha atingido parte da varanda", revelou.
Pedro Antunes, um dos administradores do condomínio no prédio localizado no Vale Sepal, adiantou que a estrutura tem problemas nas fachadas da frente e algumas portadas.
"O grande estrago foi a grua ter caído sobre nove carros, que ficaram inutilizáveis. Estamos presos e não conseguimos sair de automóvel. O dono da obra, que subcontratou o serviço, já esteve com os moradores", acrescentou Pedro Antunes, que exaltou o espírito de solidariedade que se vive entre os vizinhos.
Nascido em Leiria, Pedro Antunes confessou que "Leiria nunca mais será igual". "Quase tudo foi afetado. Perdemos ex-líbris da cidade e a parte associativa também foi muito afetada", resignou-se.
Segundo informações prestadas aos moradores, a empresa vai tentar iniciar a remoção da grua durante o dia de hoje, mas "ainda vai demorar algum tempo", até porque "há partes que pensam toneladas".
Pelas ruas os trabalhos são intensivos. O barulho das motosserras confunde-se com as sirenes dos bombeiros. A ajuda está a chegar de vários pontos do país.
Além de equipas da E-Redes nacionais, corporações de bombeiros de outros concelhos fora do distrito estão também a apoiar Leiria.
As comunicações estão a começar a ser repostas, ainda com muitos condicionalismos em várias zonas.
Além da desobstrução das vias, a maioria já a funcionar quase em pleno, a principal prioridade é o restabelecimento da energia elétrica e da água, que falta em centenas de lares.
Durante o dia de hoje, a Câmara de Leiria vai disponibilizar lonas para que os telhados possam ser cobertos, uma vez que quase todos ficaram sem telhas.
O comércio continua encerrado, sendo poucas as portas abertas. Os postos de abastecimento na cidade não têm combustível e só alguns supermercados estão a funcionar.
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