Condenado a 23 anos por matar 'ex' à facada em Matosinhos

David Marinho desferiu 21 golpes em Ana Rita Dionísio. David também tentou matar outro jovem, que estava em casa com a vítima.

15 de maio de 2026 às 11:55
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O Tribunal de Matosinhos condenou esta sexta-feira David Marinho a 23 anos de prisão pela morte da ex-namorada, em São Mamede de Infesta, no concelho de Matosinhos. O arguido - de 25 anos e que está em prisão preventiva - foi ainda punido por tentar matar um outro jovem, que surpreendeu a manter relações sexuais com Ana Rita Dionísio, no dia do crime. “Ana Rita não teve hipótese de fugir ou se defender. O arguido agiu com manifesta insensibilidade, movido por ciúmes”, disse o juiz Justino Stretch Ribeiro.

O magistrado referiu que embora o crime não tenha sido premeditado ao pormenor, David Marinho teve tempo para refletir no que fazia. “Demonstrou falta de sentimentos mínimos ao negar ajuda à vítima antes de a atacar. A ex-companheira suplicou que chamasse ajuda para Guilherme Silva, que até iria reatar relação. O arguido recusou e atacou-a", afirmou o juiz.

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Os factos remontam ao dia 4 de agosto do ano passado, numa altura em que, segundo a acusação, Ana Rita, de 26 anos, estavam já separados há dois meses. Tinham mantido um relacionamento de três anos, sendo que o arguido não se conformava com a separação. Dias antes do homicídio, o arguido começou a suspeitar que Ana Rita teria um novo relacionamento e decidiu vigiar a jovem. No dia dos factos escondeu-se junto à casa da ex-namorada e percebeu que estava um carro que não conhecia estacionado à porta. Decidiu entrar e surpreendeu a jovem a manter relações sexuais com um outro homem. David permaneceu escondido e ainda esperou 20 minutos para atacar. Retirou a roupa na cozinha, ficou apenas em cuecas e, com duas facas, dirigiu-se ao quarto, onde atacou o casal.

O homem com quem a jovem estava foi esfaqueado, mas conseguiu refugiar-se na casa de banho. Já Ana Rita foi assassinada com facadas na zona do pescoço, peito, abdómen, nas costas e nos braços. No julgamento, David rejeitou a tese de que estava separado da jovem. "Ela estava sempre a dizer para eu ter calma, que gostava de mim, que não era nada do que tinha visto. Ela continuou a falar e eu perdi novamente o controlo, não queria que ela falasse mais, sabia que era tudo mentira, vi o quanto ela me tinha enganado o tempo todo. Ataquei-a, não sabia como a estava a atacar e onde. Só queria que ela se calasse. Eu fui para cima dela, ela ficou quieta e não falou mais", alegou o arguido.

David, de nacionalidade brasileira, ainda tentou fugir do país, mas foi detido no aeroporto de Lisboa. Após cumprir pena, o suspeito terá de ser expulso do país.

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