“Confissão é mais do que evidente”

Para o director da Polícia Judiciária (PJ) de Aveiro, a confissão de José Guedes a uma jornalista foi o indício mais importante para que fosse reaberto o caso do homicídio de Filipa Ferreira, em 2000.

30 de novembro de 2012 às 01:00
AVEIRO, ESTRIPADOR, PJ, MP Foto: José Rebelo
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O local da morte da jovem, em Cacia, terá sido descrito pelo alegado ‘estripador’ numa entrevista e motivou nova investigação, contada ontem no Tribunal de Aveiro por Teófilo Santiago, com 31 anos de carreira na polícia.

"Para nós, a confissão é mais do que evidente. Sem os pormenores dados por Guedes, nem sequer íamos conseguir identificar o caso. Já passaram doze anos", afirmou o director, arrolado como testemunha do arguido. O histórico da PJ explicou ainda, durante a sessão de julgamento, como teve conhecimento do caso (ver caixa).

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No início, a PJ pensou tratar-se de um outro homicídio por resolver, ocorrido em 2003. Só com o conhecimento do inspector Medina – que também participou na primeira investigação – foi possível chegar ao caso do homicídio de Filipa Ferreira.

"Na busca domiciliária, encontrámos facas numa gaveta e num móvel da sala", relembrou o responsável pela directoria da PJ de Aveiro, adiantando também que tem plena convicção de que, se os crimes de Lisboa – três homicídios em 1992 e 1993 – não estivessem prescritos, teriam também sido reabertos. "Neste caso concreto, penso haver indícios suficientes para uma nova investigação", disse a testemunha, lamentando o "ruído que se gerou à volta do processo e que prejudicou a investigação".

No final do seu depoimento, Teófilo Santiago foi questionado sobre os vários homens que nos últimos anos têm confessado ser o ‘Estripador de Lisboa’, sem que o mesmo se consiga provar. O director da PJ considera que só "tolos" poderiam dizer algo do género.

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PROCURADOR DO MP SOUBE DO CASO PRIMEIRO

Quando percebeu que poderia estar a lidar com um verdadeiro homicida – que enviou uma mensagem a ameaçar matar de novo –, a jornalista a quem Guedes confessou os homicídios não apresentou de imediato queixa na PJ. Primeiro, num intervalo do julgamento do caso Face Oculta, revelou o teor das conversas a Carlos Filipe, o procurador do Ministério Público titular daquele processo. Disse não querer contar às autoridades por temer que o caso viesse a público pela comunicação social. Foi o magistrado que, por sua vez, informou Teófilo Santiago, dando-lhe ainda o contacto da jornalista. E foi, dias depois, o próprio director da PJ de Aveiro que telefonou à jornalista, tentando perceber o que se passava.

PRESCINDE DA AUDIÇÃO DE DOIS INVESTIGADORES

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Poliana Ribeiro, advogada de José Guedes, prescindiu ontem da audição de dois inspectores da PJ que participaram na investigação dos crimes de Lisboa, por considerar que aqueles depoimentos pouco vão acrescentar à estratégia de defesa. Deverá ser durante as alegações que Guedes vai falar pela primeira vez desde o início do julgamento. Vai explicar apenas o contexto familiar e social que vivia antes de ser preso.

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