Costa quer apurar "cabalmente" o que aconteceu em Pedrógão
Propostas de lei para "reforma da floresta" vão ao Parlamento.
O primeiro-ministro António Costa falou, esta quinta-feira, durante a reunião do Conselho de ministros, sobre os incêndios que assolam o centro do país. Em declarações aos jornalistas, Costa garantiu que o Governo criou um fundo de apoio aos concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos.
"É essencial apurar cabalmente tudo o que aconteceu", disse, adiantando que a prioridade passa, agora, por ajudar as famílias das vítimas e as empresas que ficaram incapacitadas de laborar, bem como reconstruir as zonas fustigadas pelas chamas.
"Haverá necessariamente um inquérito final que será realizado quando todas as ocorrências tiverem terminado", afirmou António Costa, sem especificar quem vai conduzir a investigação.
"Este é o momento certo para fazermos a reforma há muito adiada da floresta", diz António Costa, que quer fazer um "trabalho profundo de reordenamento da floresta", mas adianta que tal não será possível fazer "num mês, num ano ou em dois anos".
"Esse facto não deve inibir, nem justifica qualquer novo adiamento nestas reformas. Se significa que leva mais tempo a produzir efeitos, [então significa que] temos de começar mais cedo a sua execução", prosseguiu.
Novas propostas de lei neste sentido serão debatidas no Parlamento, garante o primeiro-ministro, que deixou um voto de pesar às vítimas e de agradecimento a quem tem ajudado a combater os incêndios.
Governo com "total abertura" para comissão independente pedida por PSD
O primeiro-ministro, António Costa, assegurou hoje haver do Governo "total abertura" para colaborar em "qualquer proposta de comissão técnica independente" criada pelo parlamento sobre a tragédia recente em Pedrógão Grande.
Falando na conferência de imprensa no final da reunião de hoje do Conselho de Ministros, dedicada a analisar os fogos que deflagraram recentes no país, em concreto em Pedrógão Grande, António Costa garantiu "total abertura e disponibilidade para apoiar qualquer proposta de comissão técnica independente que venha a ser criada por iniciativa" parlamentar, como pediu o PSD.
"Colaboraremos com total abertura e disponibilidade", garantiu.
Já hoje, o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, defendeu em Bruxelas a necessidade de uma comissão técnica independente começar a trabalhar "tão depressa quanto possível" para dar "todas as explicações" aos portugueses sobre a tragédia de Pedrógão Grande.
"As explicações são ainda incompletas e vai ser importante que todas as explicações sejam mesmo dadas. E, todas, significa que é preciso que uma instância que seja constituída por peritos, técnicos com independência sobre a administração possam elencar todas as questões que são relevantes", declarou Passos Coelho, à margem de uma reunião na capital belga do Partido Popular Europeu (PPE), encontro que antecede o Conselho Europeu.
O incêndio que deflagrou no sábado à tarde em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, e que foi dado como dominado na quarta-feira, provocou pelo menos 64 mortos e mais de 200 feridos.
Todos os mecanismos de apoio estão ativados
Costa garante que todos os mecanismos de apoio estão ativados e disponíveis nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, os mais afetados pelos incêndios dos últimos dias.
"Todos os mecanismos de apoio do Ministério do Trabalho, da Solidariedade e Segurança Social, do Ministério do Planeamento, do Ministério da Agricultura e o Fundo de Emergência Municipal estão ativados e disponíveis", disse António Costa durante a conferência de imprensa no final da reunião do Conselho de Ministros.
O primeiro-ministro afirmou que é prioritário reconstruir os concelhos mais afetados pelo fogo.
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