Crocodilo preocupa menos que lagostins
Há um crocodilo na albufeira de Castelo de Bode? Nos 77 anos que leva de vida, Isabel Bastinha já viu "muita bicharada" e assume-se como testemunha ocular: "Parecia uma onda pela água abaixo". O avistamento aconteceu a meio de Abril e, depois de outro relato, de um canoísta, há 15 dias, a GNR decidiu fazer vigilância nas águas do rio Zêzere, no concelho da Sertã.
A idosa, que explora um café há 55 anos em Casal da Madalena, não tem dúvidas sobre o que viu quando foi encher uns garrafões na Foz da Sertã e pôs os pés dentro da água. E ofende-se quando duvidam dela: "Nunca mais digo nada a ninguém, se vir alguma coisa. Estou farta de me chatearem. Até dizem que sou mentirosa e bêbeda. Não era uma lontra, tenho a certeza. Pareceu-me um crocodilo, com uns dois metros".
Em Dornes, João Dias vê a sobrinha e a filha, de 7 e 13 anos, brincarem na água, despreocupadas. O auxiliar de acção médica, de 42 anos, residente em Lisboa, nem se lembrava da história. "Devem pensar que estão em Nova Iorque, onde há crocodilos nos túneis. Isso é mentira. O pior são os lagostins, que nos fazem cócegas. Devem ter visto uma carpa, daquelas que dizem chegar a pesar uns 20 quilos".
Maria dos Santos, empregada doméstica em Dornes, tem outra teoria. "Há muitos anos que, para os miúdos não irem para a água, lhes dizem que há crocodilos e que andam a roer os pilares da ponte". Mas Isabel Bastinha e outros populares insistem e explicam que o réptil fugiu de casa de uns holandeses que viveram na zona há anos.
Como "medida de precaução", apesar da existência do crocodilo "ser pouco provável", a GNR vai continuar as acções de vigilância a pé e de barco, esta tarde em Trisio, entre Vila de Rei e Cernache do Bonjardim.
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