Defesa de triplo homicida da barbearia de Lisboa admite recorrer para o Supremo
Homicida foi condenado, esta terça-feira, a 25 anos de prisão.
O advogado do homem condenado a 25 anos pelo triplo homicídio ocorrido em 2024 numa barbearia em Lisboa admitiu esta terça-feira recorrer para o Supremo Tribunal de Justiça, após a Relação confirmar a condenação e rejeitar a inimputabilidade do arguido.
"A família irá decidir se quer recorrer para o Supremo. Se tem condições ou não. Eu acredito que sim", afirmou Luís Candeias, em declarações à agência Lusa.
O defensor reagia desta forma à decisão do Tribunal da Relação de Lisboa de confirmar a pena de 25 anos para o autor do triplo homicídio numa barbearia de Lisboa, ocorrido em outubro de 2024, esta terça-feira noticiada pela CNN.
Fernando Silva tinha sido condenado no passado dia 28 de janeiro, pelo Tribunal Central Criminal de Lisboa, a 19 anos de cadeia por cada um dos três crimes de homicídio consumado, mais nove por um homicídio tentado e mais dois e seis meses por posse de arma proibida, o que resultou num cúmulo jurídico de 25 anos.
Para o advogado Luís Candeias, o seu cliente deveria ter sido considerado inimputável ou, pelo menos, sujeito a uma "segunda perícia psiquiátrica".
"Nós achamos que a perícia feita pelo perito nomeado não vai ao encontro daquilo que aconteceu nos cinco anos que antecederam o crime. O arguido foi atendido por cerca de 13 psiquiatras e todos eles o medicaram para a esquizofrenia. Agora vem um perito dizer que não. Que foi medicado mas que não era para a esquizofrenia, que era só para o acalmar", apontou.
Luís Candeias ressalvou que uma eventual declaração de inimputabilidade não significaria a libertação do arguido, sublinhando que teria de estar em tratamento pelo menos durante 15 ou 16 anos".
"Para mim, o meu cliente é vítima do sistema. Devia ter sido internado compulsivamente nos cinco anos que antecederam os factos e não foi. Uma pessoa que se atira do terceiro andar, que ouve vozes, que tem todas as características de um doente com esquizofrenia", argumentou.
O crime aconteceu no dia 02 de outubro de 2024, quando Fernando Silva, com uma arma de fogo, foi cortar o cabelo à barbearia "Ganda Pente", na Penha de França, em Lisboa.
Como não foi atendido de imediato, disparou sobre o barbeiro, no interior do estabelecimento, e também sobre um cliente e a companheira deste, à entrada da barbearia, tendo matado os três.
Disparou ainda sobre um empregado da barbearia, sem conseguir atingi-lo.
As vítimas, que morreram no local, foram o barbeiro Carlos Pina e o casal Fernanda Júlia da Silva e Bruno Neto.
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