Doente psiquiátrico mata a mulher com arma vendida por cabo da GNR

Militar de 42 anos, a prestar serviço em Porto de Mós, Leiria, está acusado de tráfico de armas. Vendeu, por 3 mil euros, o revólver ilegal usada por Pedro Martins para matar Elisabete na clínica onde estava internado, no Porto.

20 de março de 2026 às 01:30
Elisabete Martins, tinha 51 anos, foi morta pelo marido na Casa de Saúde onde o homem estava internado Foto: Direitos Reservados
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Quando, a 4 de setembro do ano passado, entrou na Casa de Saúde de Santa Catarina, no Porto, para ser internado devido ao quadro psicótico de delírio em que se encontrava, Pedro Martins, 51 anos, levava, oculta na mala, um revólver calibre .32 que, meses antes, tinha comprado a um cabo da GNR no ativo, por três mil euros. Na madrugada seguinte, no interior do quarto, Pedro assassinou a mulher, Elisabete, de 51 anos, com quatro tiros. Tentou suicidar-se, mas sobreviveu. O empresário de Felgueiras, que está internado no Hospital Prisão de Santa Cruz do Bispo, foi agora acusado de homicídio e posse de arma ilegal. O guarda que lhe vendeu a pistola vai ser julgado por tráfico de armas agravado, por pertencer às forças de segurança.

Jorge Ribeiro, de 42 anos, cabo da GNR no posto de Porto de Mós, distrito de Leiria, mas natural de Felgueiras, conheceu Pedro no início de 2025. O militar tinha um estúdio de massagens terapêuticas em Felgueiras, onde o empresário fez várias sessões de tratamento. Foi nesse contexto que Pedro lhe pediu que lhe vendesse uma arma de fogo. Jorge exibiu-lhe dois exemplares e o empresário optou pelo revólver de calibre .32, com capacidade para seis munições.

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A arma, sem documentos e vendida fora do circuito comercial controlado, foi entregue ao empresário entre os meses de abril e setembro. Na altura, o cabo da GNR mantinha uma relação de namoro com uma das filhas de Pedro e de Elisabete, 21 anos mais nova, e conhecia os problemas psiquiátricos do empresário. O Ministério Público do Porto, que esta semana acusou o militar, diz que Jorge Ribeiro, como cabo da GNR, "sabia que tal arma era apta a ser usada e era idónea a causar graves lesões físicas, a criar risco, ou a atentar contra a vida de alguém".

O militar, que encerrou o centro de massagens terapêuticas quando se soube que tinha vendido a arma ao empresário, continua ao serviço no posto da GNR de Porto de Mós. Foi a morada do posto que forneceu ao Ministério Público quando foi constituído arguido. Na acusação, deduzida na terça-feira passada, o Ministério Público manda que o teor do documento seja comunicado à GNR e à Inspeção Geral da Administração Interna. Contactada pelo CM, a GNR ainda não esclareceu se já foi instaurado um processo disciplinar ao militar agora acusado.

Elisabete Martins, de 51 anos, tinha três filhos com Pedro. Foi morta com quatro tiros, na cabeça, peito e nos braços, enquanto dormia. Pedro fez ainda dois disparos na próprio direção, com o intuito de tirar a própria vida. A acusação diz que o empresário agiu num quadro psicótico grave. "O arguido Pedro Martins apresenta alterações psicopatológicas major, compatíveis com uma patologia mental grave", refere o documento, acrescentando que "a anomalia psíquica de que sofre impede-o de discernir o ilícito do lícito". O procurador que deduziu a acusação refere, no entanto, que o risco de repetição ou prática de factos semelhantes é elevada e, por isso, diz que face ao quadro de inimputabilidade do arguido, o Tribunal deve optar por uma medida de segurança.

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