Dois dias e meio sem autópsias

Desde sábado à tarde que não são realizadas autópsias nas 28 delegações do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), situação que merece críticas dos familiares de pessoas que morreram nos últimos dois dias.

02 de janeiro de 2007 às 00:00
Dois dias e meio sem autópsias Foto: Pedro Catarino
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Duarte Nuno Vieira, presidente do INML, desdramatiza a situação, lembrando que nos domingos e nos feriados as conservatórias estão fechadas, pelo que é “impossível” fazer funerais. “Além disso – acrescentou –, mesmo que a pessoa seja autopsiada, é necessário que os cemitérios estejam abertos e que haja ordem do Ministério Público, o que não acontece aos domingos e feriados.”

O presidente do INML frisou, ainda, que em Portugal há “poucos especialistas” em medicina legal: “Em Lisboa, por exemplo, há apenas cinco médicos dedicados às autópsias. Lembro, aliás, que na maioria dos países europeus a situação é similar à nossa. Apenas no Brasil e em países da América Latina, devido à grande taxa de criminalidade, os serviços estão abertos 24 horas por dia.”

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Segundo Duarte Nuno Vieira, nos serviços médico-legais estão em permanência técnicos para dar entrada aos cadáveres: “Depois, os corpos ficam à espera, numa câmara frigorífica, de ordem por parte do Ministério Público para serem autopsiados. Se houver necessidade, há locais apropriados nos hospitais que nós podemos utilizar”.

BUROCRACIA REVOLTA FAMÍLIA

“É revoltante. Como é possível que este País pare aos fins-de-semana? O meu irmão esteve cerca de quatro horas na rua à espera de uma automaca e quase três dias para ser autopsiado. É revoltante.”

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Margarida Neves de Sousa perdeu o irmão, José Manuel, de 46 anos, no sábado, vítima de uma doença súbita: “Pouco passava das 21h00 quando ele se sentiu mal e caiu na rua. Depois foram quatro horas de desespero até que o corpo fosse para o Instituto de Medicina Legal e até que o óbito fosse declarado. A nossa médica de família prontificou-se a declarar o óbito. Disseram-lhe que, como era fim-de-semana, não o podia fazer. E tivemos de esperar mais dois dias pela autópsia. Isto é revoltante.”

Nos últimos três dias, deram entrada onze corpos na delegação de Lisboa do Instituto de Medicina Legal, 13 no Porto e três em Coimbra. Oito vão ser autopsiados hoje, de acordo com Duarte Nuno Vieira, presidente do INML.

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