Em quase 20 anos reativação da Brigada de Trânsito da GNR é anunciada duas vezes
BT da Guarda Nacional Republicana foi extinta durante a governação socialista de José Sócrates.
A Brigada de Trânsito (BT) da GNR vai ser reativada quase 20 anos depois de ter sido extinta, anúncio que já tinha feito em 2013, por um Governo do PSD, e que ficou por concretizar.
Para inverter a sinistralidade rodoviária, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, anunciou esta quarta-feira várias medidas, entre as quais a reativação da BT da Guarda Nacional Republicana, que foi extinta durante a governação socialista de José Sócrates, era então ministro da Administração Interna Rui Pereira.
A reativação da BT não é nova em governos liderados por social-democratas. A 19 junho de 2013 o antigo ministro Administração Interna Miguel Macedo anunciava que a Brigada de Trânsito seria reativada ainda esse ano no âmbito das alterações à lei orgânica daquela força de segurança, mas tal nunca veio acontecer.
Considerada como uma referência da fiscalização de trânsito em Portugal, como também a principal marca da própria GNR, a extinção da Brigada de Trânsito -- na altura com 2.400 militares - foi muito contestada dentro da GNR que realizou, entre outras, ações de tolerância às multas.
Embora a justificação oficial para a sua extinção se tenha focado na reestruturação orgânica da GNR e na descentralização de competências para os comandos territoriais, a BT esteve historicamente ligada a um clima de instabilidade causado por sucessivos escândalos de corrupção que abalaram a credibilidade da unidade.
Três décadas depois de criação da Brigada de Trânsito, a GNR foi confrontada com casos concretos investigados pela Polícia Judiciária em especial com dois que foram levados a julgamento.
A Operação Centauro em 2002, que fez quase 200 arguidos, entre os quais 173 militares da BT que acabou com o Tribunal de Sintra a condenar 16 militares a prisão efetiva e outros 65 a penas suspensas.
E mais tarde, em 2004, a investigação que levou um terço do efetivo da Brigada de Trânsito de Albufeira a Tribunal ao todo 25 militares, 10 dos quais condenados.
Questionado sobre estes casos de corrupção na BT, o presidente da Associação Nacional dos Oficiais da Guarda (ANOG), Tiago Gonçalves da Silves, disse à Lusa que aquilo que se assistiu há muitos "é difícil de se verificar" atualmente.
O presidente da ANOG defendeu que a Guarda Nacional Republicana devia ter a possibilidade de investigar crimes de corrupção dentro da corporação, como existe em outras polícias, nomeadamente em Espanha.
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