Equipa especial para investigar 'Operação Influencer' está em 'part-time'

Em dezembro de 2023, a Procuradoria anunciou a criação de uma equipa mista, mas procuradores, polícias, inspetores das finanças, agentes da PSP e especialistas do Núcleo de Assessoria Técnica da PGR dividem investigação do processo com outros inquéritos.

01 de maio de 2026 às 09:42
Procuradoria-Geral da República Foto: Lusa
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Anunciada, em dezembro de 2023, a equipa especial para 'Operação Influencer' está a trabalhar numa espécie de 'part-time', já que nenhum dos investigadores se encontra a tempo inteiro no processo que investiga suspeitas de tráfico de influências, prevaricação, entre outros crimes, no projeto do centro de dados, em Sines.

No final de 2023 e após o juiz de instrução Nuno Dias Costa ter desvalorizado os indícios recolhidos pelo Ministério Público e libertado os cinco detidos - Diogo Lacerda Machado, Vítor Escária, Afonso Salema, Rui Oliveira Neves e Nuno Mascarenhas -, a Procuradoria geral da República anunciou, em comunicado, a criação de uma “equipa mista de apoio” ao processo.

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No tal , a então Procuradora-geral referia que dois inspetores da Polícia Judiciária, mais dois inspetores tributários e outros tantos agentes da PSP iriam ficar “afetos em exclusividade” ao processo. Lucília Gago designou ainda quatro procuradores para acompanhar as investigações do Lítio, Hidrogénio e Centro de Dados, aos quais foi “adequado o volume de serviço, de modo a garantir a melhor e mais eficiente resposta”.

Certo é que, dois anos após este comunicado, o processo acaba por descrever outra realidade, muito diferente do quadro traçado em 2023 para impulsionar a investigação. Foi numa resposta a um requerimento do antigo ministro João Galamba, constituído arguido no processo, pedindo a aceleração da investigação, que a procuradora Rita Madeira, nomeada coordenadora da investigação, descreveu um realidade bem diferente da equacionada em 2023. A magistrada do Ministério Público começou por Alencar os meios afetos à investigação: seis procuradores, 2 inspetoras da PJ, dois da Autoridade Tributária, mais três agentes da PSP e dois elementos do Núcleo de Assessoria Técnica (NAT) da Procuradoria-geral da República.

Só que, sinalizou, dos quatro alocados à investigação do Centro de Dados (os outros dois estão repartidos por outros processo: suspeitas no Lítio e Hidrogénio), “nenhum do magistrados se encontra afeto em exclusividade aos presentes autos”; todo são titulares de outras investigações “urgentes ou de elevada repercussão social” ou com incidentes de aceleração processual em curso. Dois, por sua vez, ainda se encontram “incluídos na escola de prevenção do branqueamento de capitais”. A própria coordenadora da equipa, também coordena outras equipas especiais, assim como também coordena a 5ª secção do Departamento Central de Investigação e Ação Penal.

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Um dos procuradores, Hugo Neto, foi nomeado, em setembro de 2025, para estar presente no julgamento da Operação Marquês. No que diz respeito aos polícia, os dois elementos da PJ acumulam com outros inquéritos, o mesmo acontecendo com os inspetores da Autoridade Tributária. Os agentes da PSP destacados, afinal, não estão em exclusividade. Já os peritos do NAT acumulam os Influencer com outros processos.
Tudo somado, Rita Madeira referiu não ser de “prever que seja viável” a conclusão da investigação, com um “despacho final sustentando em 24 meses”. Ou seja, o inquérito vai continuar até, pelo menos, outubro de 2027. 

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