ESFAQUEADA À PORTA
Foi um ataque cerrado e sem palavras. Rosa Camala, 32 anos, natural de Bula, Guiné-Bissau, chegara à porta de casa, acompanhada de uma vizinha, depois do turno de limpezas, num banco de Lisboa. A porta abriu-se de repente e Filipe, namorado da guineense, atacou-a com várias facadas, no corpo, sobretudo no pescoço.
“Não houve nenhuma discussão. Ela ia a entrar comigo e ele abriu a porta e atacou-a imediatamente e ela agarrou-se a mim, para se defender”, contou ao nosso jornal a única testemunha ocular do crime, de nome Elvira.
“Vi várias vezes a faca a entrar e a sair, mas não cheguei a ver quantas facadas foram”, acrescentou
Em poucos minutos, Rosa morria à porta de sua casa, nos braços da vizinha e amiga, Elvira. Filipe, também guineense, acto contínuo, tentou de seguida o suicídio, esfaqueando-se no ventre. A tragédia ocorreu cerca das 10h30 de ontem, na cave de um prédio na Avenida D. Dinis, em Odivelas. O crime deixou chocados os vizinhos, tanto mais que a mulher, de 32 anos e há cerca de um ano a residir ali, era bem vista.
Durante a tarde de ontem, vários parentes e amigos de Rosa Camala deslocaram-se junto ao local da tragédia, onde comentaram a sua desdita.
“Ela vivia aqui sozinha e era uma pessoa pacata, educada e não se metia com ninguém. Mesmo ele, quando vinha aqui também era pacato e as discussões eram só entre eles”, disse uma das vizinhas.
Por sua vez, uma prima da vítima confirmou o bom carácter da parente:
“Era uma pessoa alegre. Trabalhava nas limpezas e andava há uns meses com este namorado”.
No entanto, tanto quanto o nosso jornal apurou, a relação já se arrastava há algum tempo numa situação de conflito entre o casal.
“Ele era um homem agressivo, que já várias vezes tinha arrombado a porta da Rosa e andava sempre com facas”, contou outra das residentes do prédio, que pediu o anonimato, por medo a represálias.
Filipe foi posteriormente transportado para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde ficou internado em estado grave. O corpo da sua vítima foi removido pelas 15h30 para a delegação de Lisboa do Instituto Nacional de Medicina Legal.
Rosa Camala tinha uma filha de 17 anos, fruto de uma relação anterior.
A Polícia Judiciária tomou conta das investigações, mas ao fim do dia os populares estavam revoltados por a polícia ter deixado aberta a porta da residência da mulher, e não a ter selado quando abandonou o local.
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