Espancadores deixam impressões digitais

Investigação ao espancamento por encomenda a Sandra Silva. Agressores de amiga de Rui Costa deixaram rasto. Outra pista a seguir pela PJ aponta para Santa Iria da Azóia, onde largaram bens da vítima.

03 de dezembro de 2010 às 00:30
RUI COSTA, AGRESSORES, SANDRA SILVA, ESPANCADA, AMADORA Foto: Pedro Catarino e DR
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Nas perícias lofoscópicas que foram feitas na casa de Sandra Rocha da Silva, na Damaia, Amadora, invadida pelos dois homens que ali foram espancar a amiga de Rui Costa na manhã de 12 de Novembro, a PSP encontrou impressões digitais de pelo menos um dos agressores.

Os vestígios vão ser cruzados com a base de dados do registo criminal e, caso haja comparação positiva, a Secção de Homicídios da Polícia Judiciária de Lisboa chegará rapidamente aos executantes do crime, que terá sido encomendado num cenário de vingança. Caso este homem – português, branco, 30 a 40 anos, pela descrição da vítima – não tenha ficha criminal, a PJ terá de seguir outros meios de prova para chegar à sua identidade e, aí, comparar as impressões digitais.

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Mas entretanto há outra pista que está a ser seguida pelos investigadores, e que diz respeito a documentos pessoais levados à vítima – além dos três telemóveis e do computador portátil: foram abandonados na zona de Santa Iria da Azóia, em Loures, o que pode dar uma indicação à Polícia Judiciária sobre a área de residência dos dois suspeitos.

Estes documentos, com a identidade de Sandra Rocha da Silva, 36 anos, foram encontrados no chão por uma mulher, que acabou por entregá-los na esquadra da PSP do aeroporto de Lisboa, onde trabalha. Há outros meios de prova a ser trabalhados no processo – ao mesmo tempo que serão chamados a prestar declarações a vítima e várias pessoas do seu círculo íntimo, entre elas Rui Costa, director desportivo do Benfica, conforme o CM avançou ontem.

Não restam dúvidas de que está em causa um crime de vingança, por encomenda, cujos contornos a polícia acredita terem origem passional. O objectivo da PJ será também chegar ao mandante do crime – e haverá relação com as ameaças de que a hospedeira da TAP foi alvo durante os últimos tempos. A PJ vai querer saber opormenores sobre o desfecho de algumas relações pessoais.

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JUIZ É NUNO DIAS COSTA

As decisões a tomar sobre o processo deverão passar por Nuno Dias Costa, juiz de instrução criminal, numa investigação que está a ser coordenada pela 8ª secção do Departamento de Investigação e Acção Penal da Amadora. Filho de um histórico investigador da PJ, Dias Costa fez parte dos colectivos de juízes, no Tribunal da Boa-Hora, Lisboa, que condenaram, entre outros, Maria das Dores e Pedro Inverno – a primeira, a 23 anos de cadeia pelo homicídio do marido; o segundo, a 19 anos, no processo de pedofilia do Parque Eduardo VII. No caso das violentas agressões a Sandra Rocha da Silva, caberá ao Ministério Público decidir a configuração penal para o crime em causa, quando forem apanhados os autores: homicídio tentado ou ofensas à integridade física agravadas.

DEIXARAM FICAR O RAMO DE FLORES

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Quando a PSP chegou ao local do crime, encontrou no chão o ramo de flores que serviu de engodo para Sandra abrir a porta de casa. O quarto, de onde levaram telemóveis e um portátil, estava todo desarrumado.

HAVIA SANGUE EM TODA A CASA

A vítima foi encontrada pelos agentes no interior da cozinha, coberta de hematomas em resultado das violentas agressões com socos e pontapés por todo o corpo. Havia sangue espalhado pela casa.

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