"Eu já fui picado", disse emigrante antes de morrer em ataque de vespas-asiáticas

António Macedo morreu junto aos familiares após ter sido picado num terreno da família.

30 de dezembro de 2018 às 01:30
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Eu já fui picado. Não te aproximes das árvores." Foram as últimas palavras de António Macedo, de 47 anos, antes de morrer, após ter sido atacado ao que tudo indica por vespas-asiáticas, na quarta-feira, em Dossãos, Vila Verde. A família do emigrante na Suíça ainda não tinha este sábado a confirmação de que o ataque dos insetos assassinos tenha sido a real causa da morte. Querem explicações.

"O meu irmão disse que foi picado por vespas. Depois começou a ficar muito fraco, desmaiou e morreu ali junto a nós", foi o relato feito pela irmã de António Macedo. Muito abalada com a morte repentina e incapaz de falar ao CM, a mulher refugia-se em casa, apoiada pela família.

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Já Constantino Macedo, também irmão da vítima mortal, explica que os familiares ainda tentaram socorrer António até à chegada dos meios de socorro, mas já nada conseguiram fazer.

Falta agora a confirmação das causas da morte. "O António tinha problemas cardíacos e não fazia medicação. O que o médico nos explicou é que a picada, associada aos problemas de coração, pode ter provocado um ataque cardíaco, mas ainda não há certezas de nada", vincou o familiar, inconformado com a morte de um dos elementos mais novos da família.

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Este sábado, após o funeral de António Macedo, em Dossãos - no qual participaram centenas de pessoas, o presidente da junta de freguesia, Jorge Oliveira, garantiu que o ninho de vespas nos terrenos da família da vítima não estava identificado. Como medida preventiva, foi destruído pela Proteção Civil de Vila Verde.

Autópsia apura causas da morte

O cadáver de António Macedo foi autopsiado sexta-feira no Gabinete Médico-Legal e Forense do Cávado, em Braga. Os resultados finais serão determinantes para esclarecer as causas que levaram à morte repentina do emigrante após a picada de vespas.

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Doença cardíaca não era vigiada

Há vários anos que António Macedo sabia que padecia de complicações cardíacas, mas ainda assim o emigrante não tomava qualquer medicação. Um dia antes da morte tinha-se queixado à madrasta de que sentia dores no peito. Não foi a uma unidade de saúde.

Vespas mataram, em 2015, homem de 63 anos

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Em junho de 2015, um outro emigrante morreu vítima de um ataque de vespas asiáticas, junto à casa onde morava, em Cervães, também em Vila Verde. José da Cunha Gomes, de 63 anos, ainda conseguiu ir até casa pedir ajuda, mas caiu inanimado à frente da mulher. Foi o primeiro caso conhecido naquele concelho.

"É uma perda muito grande na família"

As circunstâncias da morte de António Macedo deixaram toda a família consternada. Constantino Macedo, que também é emigrante na Suíça, lamenta o sucedido: "É uma perda muito grande na família. Perdemos o nosso pai há menos de um ano e agora isto", referiu, interrompido pelas lágrimas que não conseguia controlar.

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O emigrante diz que o irmão chegou a Vila Verde dias antes do Natal. "Era o apoio da minha irmã e tinha decidido limpar o terreno junto à casa, onde crescia um silvado", contou ao CM, frisando que quando António Macedo sofreu o ataque das vespas-asiáticas "a primeira preocupação que teve foi avisar a minha irmã para sair daquele local".

PORMENORES

Moradores alarmados

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Um dos moradores de um prédio da avenida do Parque, junto ao Parque da Cidade, Porto, indicou este sábado ao CM a existência de um ninho de vespa-asiática junto ao edifício, que ainda não foi removido pelo município.

Ninho dentro de escola

Os sapadores de Gaia foram alertados para a existência de um ninho de vespa-asiática numa árvore localizada dentro do recinto da Escola Sophia de Mello Breyner, em Arcozelo, Vila Nova de Gaia.

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Atinge Litoral Norte

Os distritos de Viana do Castelo, Braga e Porto são os mais afetados pela vespa.

1219 ninhos subsistem

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Dos 4951 ninhos identificados até novembro, 1219 ainda não foram exterminados.

Menos 30% de mel

Federação de Apicultores refere perda de rendimento de 30% na produção de mel.

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Apicultura em queda

Centenas de pequenos apicultores cessaram a atividade, indica associação nortenha.

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