Ex-diretora financeira julgada por desviar 760 mil euros diz que transferências eram "retorno" de dinheiro adiantado

Arguida, de 53 anos, assumiu que fez várias transferências para contas por si tituladas."As transferências eram a devolução do dinheiro que eu lá tinha colocado", explicou relativamente a uma das sociedades.

20 de maio de 2026 às 19:22
Tribunal de Aveiro Foto: Direitos Reservados
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A ex-diretora financeira que começou a ser julgada esta quarta-feira em Aveiro por se ter apropriado de 760 mil euros de duas empresas de Águeda, onde trabalhava, disse em Tribunal que a “acusação não corresponde à realidade”. A arguida, de 53 anos, assumiu que fez várias transferências para contas por si tituladas, mas justificou que eram apenas o “retorno” do dinheiro que tinha adiantado - movimentos para os quais confessou que “não tinha autorização”. 

“Eu ia fazendo apontamentos do dinheiro que que ia colocando na empresa. Quando a empresa precisava de dinheiro eu transferia. No fundo as transferências eram a devolução do dinheiro que eu lá tinha colocado”, explicou relativamente a uma das sociedades.  

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Ao coletivo de juízes esclareceu que o fazia “para tentar ajudar quando a empresa não tinha dinheiro”. 

Relativamente à segunda empresa a arguida confessou que usou o cartão bancário “para fazer vários levantamentos” para pagar despesas da empresa, mas também suas e do seu agregado familiar.  

“A minha vida era muito complicada em casa e no trabalho. Não aguentei. Tudo isso contribui para eu ter feito o que fiz. Tinha compulsão por compras e quando a minha vida estava um caos era isso que me dava satisfação”, revelou ao Tribunal, assumindo que “sabia que o dinheiro não era seu”. 

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Quanto aos bens pessoais pagos com recurso ao dinheiro da empresa, a arguida afirmou que os mesmos se destinavam ao seu benefício e ao do marido, também arguido no processo. Entre as despesas consta o mobiliário para decorar a casa, no valor de 225 mil euros. “Não havia questões, as coisas apareciam”, respondeu, quando confrontada sobre se o marido nunca questionou a origem do dinheiro. 

“Eu fiz coisas horríveis, mas quando a empresa precisou eu coloquei lá dinheiro”, disse em lágrimas em Tribunal.  

A ex-diretora financeira responde pelos crimes de abuso de confiança na forma continuada, falsificação de documentos, burla informática na forma continuada e burla qualificada. O marido de então também é arguido no processo por ter sido cúmplice dos crimes.  

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De acordo com a acusação do Ministério Público (MP), a arguida fez transferências das contas das empresas para contas suas e utilizou o cartão de uma das sociedades para fazer levantamentos e pagar despesas pessoais. No total, o MP calcula que a vantagem económica obtida pelos arguidos ascenda a 760 mil euros, valor que requereu que seja declarado perdido a favor do Estado. 

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