Ex-polícia mata mulher na estação

Homicida fugiu do local e ainda está a monte. Maria Olívia, mãe de dois filhos, é a 40.ª mulher assassinada neste ano.

04 de dezembro de 2010 às 00:30
HOMICÍDIO, AMADORA Foto: Vítor Mota
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Maria Olívia Gomes limpava uma cabina telefónica, ontem de manhã, na estação de comboios da Reboleira, Amadora, onde trabalhava como empregada de limpeza, quando foi surpreendida pelo ex-companheiro. Sem dar tempo a discussões, o homem ciumento, ex--polícia em Cabo Verde, desferiu quatro facadas no peito da vítima, que morreu no local perante o olhar incrédulo de várias pessoas. Olímpio, o agressor, de 45 anos, fugiu e, até à hora de fecho da edição, continuava a monte.

Com este caso, o número de mulheres assassinadas em contexto de violência doméstica em Portugal em 2010 sobe para 40. Maria Olívia tinha apresentado três queixas na PSP, mas nem assim conseguiu evitar o fim trágico. Deixa órfãos dois filhos, de 12 e 14 anos. "Ele nunca trabalhou e, ainda por cima, esteve preso por tráfico de droga. A minha filha teve a coragem de o abandonar em Outubro e agora acontece-lhe isto", disse António Fernandes, pai da vítima, morador no bairro Santa Filomena, Amadora.

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Nos últimos meses, Maria Olívia, 31 anos, era perseguida pelo ex-companheiro, que queria que ela regressasse a casa. No passado domingo, Olímpio chegou a incendiar-lhe a habitação que tinha comprado. "Ela tinha muito medo de morrer", disse o pai, com lágrimas nos olhos.

TINHA MEDO DE IR SOZINHA PARA O TRABALHO

António Fernandes, pai de Maria Olívia, acompanhava a filha ao trabalho todos os dias, uma vez que continuava a ser perseguida e ameaçada por telemóvel. "Eu ia levá-la todos os dias e, depois, vinha para casa. Ela tinha tanto medo", lamentou o progenitor.

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Maria Olívia veio para Portugal há apenas um ano e meio, enquanto Olímpio estava no País há cerca de oito. Em Outubro, foi espancada em casa e, por isso, abandonou o lar. Fez várias queixas na PSP e foi viver para casa dos pais. "Ela falava-me que ele lhe batia, mas eu não sabia que ia acabar desta maneira", disse uma colega de trabalho que testemunhou a morte da amiga.

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