Ex-procuradora do DCIAP "nem sabia quem era o Manuel Vicente"

Julgamento da Operação Fizz prossegue esta quinta-feira.

08 de fevereiro de 2018 às 11:14
Cândida Almeida, ex-diretora do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) Foto: Nuno Jesus
Cândida Almeida, ex-diretora do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) Foto: Sérgio Lemos

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O julgamento da 'Operação Fizz', que tem como arguidos o ex-vice-Presidente de Angola, Manuel Vicente, o ex-procurador Orlando Figueira, o advogado Paulo Blanco e o empresário Armindo Pires continua esta quinta-feira.

Cândida Almeida, ex-diretora do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), começou a ser ouvida em tribunal.

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"Em 2009, subscreveu-se um acordo para magistrados angolanos que iam criar um departamento idêntico ao DCIAP. Éramos nós que iamos fazer a formação. Um programa de três meses a tempo inteiro. Assim, pedi a três magistrados, entre eles Orlando Figueira, para fazer essa formação", começa por revelar.

"Arranjámos um espaço no DCIAP. Paulo Blanco, advogado do estado angolano, apareceu para todas as necessidades logísticas. Acompanhava o senhor procurador-geral de Angola em reuniões sobre a formação", explica.

A procuradora-geral adjunta no Supremo Tribunal de Justiça confessa que terá desabafado que estavam a usar os tribunais portugueses para resolver os seus assuntos e depois deixam as investigações a meio. "No processo do Banif chegámos a ter buscas previstas e a meio o estado de Angola terá desistido da queixa que já estava a ser investigada em Portugal".

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Desabafo que chegou aos ouvidos do procurador-geral de Angola, João Maria de Sousa, que sentiu necessidade de justificar a desistência, dizendo que só respondia diretamente ao senhor Presidente. "A questãoi ficou sanada", disse Cândida Almeida.

Em frente ao juiz, Cândida Almeida afirmou que "nem sabia quem era o Manuel Vicente" e que "Orlando Figueira era um magistrado competente". No entanto, nega ter tido conhecimento de que os documentos foram destruídos.

A procuradora-geral fala ainda num dossiê de acompanhamento do DCIAP que possuia e que continha todas as informações necessárias ao arquivamento do processo. No entanto, o mesmo terá sido extraviado quando mudou de instalações.

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