Falsa freira serve excrementos de cão a noviça ao almoço

Padre e religiosas acusados de escravizar nove mulheres em Famalicão, mas o MP suspeita que haja mais vítimas.

30 de maio de 2019 às 01:30
Joaquim Milheiro entre o advogado, Ernesto Salgado, e Maria Isabel Silva, uma das três religiosas acusadas Foto: Lusa
Freira católica Foto: Getty Images
freira Foto: Ricardo Almeida
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Maria Amélia estava de cama, com febre, e Arminda Costa serviu-lhe um almoço composto por excrementos de cão. Atirou-lhos para cima da cama e depois esfregou-lhos na cara, obrigando-a a lavar-se, porque estava possuída pelo diabo.

A passagem consta da acusação que incrimina o padre Joaquim Milheiro e as três falsas freiras que, ao longo de cerca de três décadas, dirigiram a Fraternidade Missionária de Cristo Jovem, em Requião, Famalicão.

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O sacerdote, de 87 anos, e as três religiosas, Maria Arminda Costa, Maria Isabel Silva e Joaquina Carvalho, são acusados de terem agredido, humilhado e escravizado nove mulheres, algumas jovens e que aqueles angariaram, convencendo-as de que a comunidade era "a sua vocação e o seu destino".

O Ministério Público assegura que, além das agressões, as três mulheres humilhavam as noviças, aplicando-lhes castigos como proibição de tomar banho ou obrigatoriedade de ficarem nuas no jardim.

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Quanto ao sacerdote, não participava, mas era ele quem determinava a maioria dos castigos. Maria Amélia, a quem foram servidos os excrementos, suicidou-se num tanque da propriedade, em agosto de 2004.

A Arquidiocese de Braga diz que, após a saída dos arguidos, a instituição retomou a "normalidade saudável" e que, por isso, não foi extinta.

Entretanto, o padre, à revelia da Arquidiocese, voltou à Fraternidade, encontrando-se num estado de saúde "bastante frágil".

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