Família indemnizada por anti-semitismo

Em 1937, uma decisão do Estado obrigou um oficial judeu a sair do Exército Português. O capitão Barros Basto foi afastado das suas funções depois de 20 anos de serviço, por praticar actos próprios do judaísmo. O caso vai ser levado este mês à Assembleia da República pelas mãos dos familiares de Barros Basto, que pretendem a sua reintegração póstuma no Exército. A família do capitão, que pode até ser indemnizada pelo Estado, conta com o apoio de Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados.<br/><br/>

10 de outubro de 2011 às 01:00
JUSTIÇA, CASO, ANTI-SEMITISMO, BARROS BASTO, EXÉRCITO Foto: João Miguel Rodrigues
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Na altura, o capitão foi levado a julgamento perante o Conselho Superior de Disciplina do Exército, tendo ficado provado que o oficial cumpria vários preceitos judeus. Barros Basto realizava operações de circuncisão a vários alunos do Instituto Teológico Israelita do Porto e saudava-os com um beijo no rosto, tal como os judeus sefarditas de Marrocos, onde se converteu à religião.

Reunidas todas as provas, o Conselho declarou que Barros Basto não tinha "capacidade moral para o exercício das suas funções", suspendendo o capitão do serviço. Mais de 70 anos depois, a família do Capitão quer que seja feita justiça.

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Em declarações ao Correio da Manhã, Marinho Pinto disse estar incomodado com a decisão anti-semita de 1937. "Este caso tocou-me pela injustiça que foi feita ao capitão Barros Basto. Foi uma infâmia compreensível, pela onda de anti-semitismo que varreu a Europa, mas é também inaceitável" afirma o bastonário. "A infâmia não pode só situar-se no tempo em que foi cometida – de regime opressivo. Ainda hoje este caso ofende os valores da democracia". Para Marinho Pinto, este caso mostra "o anti-semitismo que ainda existe nas instituições e na sociedade portuguesa".

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