Farfalha apanha 11 anos de cadeia por abusos sexuais e tráfico
Tribunal de Ponta Delgada condena cadastrado por recurso à prostituição de menores, coação sexual e tráfico de droga.
Aparentemente calmo, sem nunca se pronunciar. Foi desta forma que José Augusto Pavão, conhecido por ‘Farfalha’, ouviu esta segunda-feira o Tribunal Judicial de Ponta Delgada condená-lo a 11 anos de cadeia por recurso à prostituição de menores, coação sexual e tráfico de drogas agravado.
O cadastrado, que sempre negou os crimes e culpou as três vítimas deste processo, ouviu ainda a censura da juíza. "O senhor já tem antecedentes criminais. Os jovens são para respeitar, não são para serem usados nem abusados", disse a magistrada, referindo-se ao escândalo de pedofilia que Farfalha protagonizou em 2003, vindo a ser condenado em 2005. O pintor da construção civil, de 52 anos, abusava de menores e permitia que estes fossem violados por outros homens numa garagem que lhe pertencia e que, 16 anos depois, voltou a usar para os mesmos crimes.
Desta vez, estava acusado de abusos sobre três jovens, todos menores de idade à data dos factos, em 2017. Farfalha foi ainda condenado a pagar duas indemnizações de seis mil euros cada a duas das vítimas, que aceitariam sujeitar-se a atos sexuais por necessidades financeiras e de droga, e uma de sete mil euros à terceira vítima, alvo de coação sexual. No total, os jovens recebem 19 mil euros.
No início do julgamento, a 10 de outubro de 2019, o pedófilo disse estar a ser vítima "de perseguição". Já antes, em junho, tinha afirmado ao CM que não cometeu qualquer crime e que se os rapazes "voltaram, foi porque quiseram", atribuindo a culpa aos menores, que aliciava com dinheiro e haxixe.
Chegou a oferecer um telemóvel a uma das vítimas e, quando os menores quiseram parar de visitar a garagem, ameaçou-os de que revelaria os contactos sexuais e de que faria mal às suas famílias. Dois dos rapazes estavam institucionalizados e o cadastrado terá prometido que os tiraria da instituição. O outro revelou os abusos quando a mãe descobriu um telemóvel topo de gama que Farfalha lhe deu.
SAIBA MAIS
2005
José Augusto Pavão, conhecido pela alcunha de Farfalha, protagonizou o maior escândalo de pedofilia ocorrido nos Açores, há 15 anos. Foi condenado a 14 anos de cadeia por um total de 13 crimes de abuso continuado de menores (11), exibicionismo (1) e violação (1).
Saiu em condicional
Farfalha saiu em condicional, após ter cumprido cinco sextos da pena, em 2013. Outros 17 homens que supostamente frequentavam a garagem onde decorriam os abusos foram julgados. Apenas três conseguiram a absolvição.
Garagem para os abusos
O pedófilo, pintor da construção civil, utilizava uma garagem para os crimes. Terá feito cerca de 20 vítimas. Adaptou-a, com brinquedos e outras diversões, para incentivar a desinibição das vítimas, alvo de abusos por Farfalha e outros homens.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt