Filha de presidente da Guiné Equatorial utiliza fábrica de péletes para fraude a fundos europeus

Fábrica fechou ao fim de um ano.

11 de dezembro de 2024 às 01:30
Câmara da Guarda divulgou, em 2020, venda de um terreno à Khronodefine para a construção da fábrica de pellets. Ex-autarca (à esq.) Carlos Monteiro e o advogado José Gonçalves assinaram contrato
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O que prometia ser um importante investimento no concelho da Guarda transformou-se, ao fim de um ano, em desemprego para os trabalhadores e, atualmente, numa investigação judicial por suspeitas de fraude a fundos europeus em cerca de sete milhões de euros. Por detrás da operação está, segundo apurou o CM, Francisca Jiménez, filha do Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang.

De acordo com informações recolhidas, a investigação da Unidade Nacional Contra a Corrupção (UNCC) da Polícia Judiciária apurou que a empresa promotora do projeto para uma fábrica de péletes foi, em parte, financiada por Francisca Jiménez. Só assim, com 25% de capitais próprios, é que a empresa em causa, a Khronodefine, do Grupo Atgreen, conseguiu candidatar-se a fundos europeus para o projeto da fábrica, obtendo sete milhões de euros em financiamento para um (suposto) investimento de 15 milhões.

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Ao que o CM apurou, a investigação suspeita do empolamento dos custos (desde o preço da maquinaria a outros gastos), de forma a obter o máximo de financiamento possível.

Na terça-feira, na ‘Operação Cash Flow’, que mobilizou uma centena de inspetores, a PJ deteve dois suspeitos e constituiu um advogado como arguido. Os detidos deverão ser esta quarta-feira presentes a um juiz de instrução no Tribunal Central de Instrução Criminal.

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SAIBA MAIS

 BUSCAS POR TODO O PAÍS
A operação da PJ decorreu em vários distritos do continente, na Madeira e em Espanha para executar 24 mandados de busca, envolvendo 102 inspetores e peritos das unidades de perícia tecnológica, perícia financeira e contabilística.

CIRCULAÇÃO DE DINHEIRO
A investigação apurou que os suspeitos disseram circular dinheiro entre contas bancárias próprias, empresas e familiares da Guiné Equatorial, Luxemburgo, Marrocos, Emirados Árabes Unidos, Espanha e Portugal.

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