Força Aérea aguarda informação para abrir inquérito a militar ligado a grupo neonazi
Megaoperação policial visou o desmantelamento de um grupo neonazi e levou a 37 detenções, incluindo um militar da Força Aérea e um agente da PSP.
A Força Aérea Portuguesa (FAP) informou esta quarta-feira que aguarda informação para abrir um inquérito disciplinar ao militar detido pela Polícia Judiciária (PJ) na megaoperação policial que visou o desmantelamento de um grupo neonazi e levou a 37 detenções.
Numa resposta enviada à agência Lusa, a Força Aérea afirma que está "a acompanhar o evoluir do inquérito" que "atualmente aguarda conhecimento concreto dos factos que permitam, como é procedimento habitual, instaurar o competente processo disciplinar ao militar, sem prejuízo da colaboração com as autoridades judiciais".
Um elemento da PSP e o militar da Força Aérea estão entre os 37 detidos na operação da PJ que visou o desmantelamento de um grupo de ideologia neonazi, o movimento 1143, ligado a Mário Machado, indicaram terça-feira fontes policiais e ligadas à investigação.
Em comunicado divulgado na terça-feira, a PSP referiu que o polícia detido pertence ao efetivo do Comando Distrital de Setúbal, aguardando aquela força de segurança a indicação dos crimes de que o suspeito está indiciado para desenvolver "os procedimentos disciplinares adequados e preventivos".
Fonte ligada à investigação disse na terça-feira à Lusa que o outro dos dois elementos não civis detidos na operação "Irmandade" era um militar, sem especificar qual é o ramo a que este pertence, situação que foi esclarecida esta quarta-feira pela FAP.
Segundo a PJ, as 37 pessoas detidas têm "vastos antecedentes criminais" e "ligações a grupos de ódio internacionais", tendo sido ainda constituídos arguidos no âmbito desta operação "Irmandade" outros 15 arguidos e realizadas 65 buscas.
Os detidos, entre os 30 e os 54 anos, "adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes".
A organização, com estrutura hierárquica e distribuição de funções, é "responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de arma proibida", refere a PJ.
O grupo, identificado em conferência de imprensa pela PJ como 1143, terá como líder Mário Machado, conhecido neonazi que está a cumprir pena por crimes da mesma natureza e que daria as instruções a partir da cadeia.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt