Luís Neves avisou que todos "os crimes de natureza politicamente motivados" terão resposta.
Megaoperação da PJ ao grupo neonazi 1143 visou evitar mortes, afirma diretor da PJ
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O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) sublinhou, esta terça-feira, que a operação desta manhã contra um grupo de ideologia neonazi visou evitar que venham ocorrer homicídios e avisou que todos "os crimes de natureza politicamente motivados" terão resposta.
"Nós atuámos aqui de forma preventiva, porque não queremos voltar a ter nem gente que fique como inválida, nem gente que veja casas incendiadas, nem gente que seja morta", disse Luís Neves, em conferência de imprensa na sede da PJ, em Lisboa, depois de recordar, entre outros, o homicídio do cabo-verdiano Alcindo Monteiro, no Bairro Alto, em junho de 1995.
O diretor nacional acrescentou que "tudo o que for crimes de natureza politicamente motivados, seja qual for a origem, terá como certa a ação da Polícia Judiciária, numa perspetiva de estancar essa atividade".
Recordando o percurso da PJ no combate aos crimes de motivação política, primeiro os praticados pela extrema-esquerda radical, e, uma vez "resolvido esse fenómeno", os cometidos, a partir da década de 1980, pela extrema-direita "com acento na raça", Luís Neves lamentou que o número de crimes de ódio tenha aumentado de nove para 64 entre 2019 e 2025.
O diretor nacional reconheceu, ainda assim, que o grupo esta terça-feira desmantelado pela PJ "não tinha nenhum ataque preparado para ser feito", o que, ressalvou, não impediria que acontecesse algo caso surgisse uma ocasião.
Trinta e sete pessoas com "vastos antecedentes criminais" e "ligações a grupos de ódio internacionais" foram esta terça-feira detidas em todo o país na operação "Irmandade", no âmbito da qual foram ainda constituídos outros 15 arguidos e realizadas 65 buscas, anunciou a PJ em comunicado.
Os detidos, entre os 30 e os 54 anos, "adotavam e difundiam a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema-direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes".
Entre os detidos, estão um elemento da PSP e um militar, indicaram esta terça-feira esta força policial e fonte ligada à investigação.
A organização, com estrutura hierárquica e distribuição de funções, é "responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de arma proibida", refere, na nota, a PJ.
O grupo identificado pela PJ como 1143 terá como líder Mário Machado, conhecido neonazi que está a cumprir pena por crimes da mesma natureza e que dava as instruções a partir da cadeia.
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