Gaivotas comem carne na Ribeira e peixe na lota do Porto
Fazem viagens longínquas até ao Pinhão, mas também visitam os aterros de lixo.
Uma estudante da Universidade de Coimbra está a monitorizar cinco gaivotas que habitam no Porto através de GPS e já chegou a algumas conclusões curiosas. Por exemplo, aquelas aves tanto se alimentam de queques e carne na Baixa da Invicta, como comem peixe ao longo do rio Douro - até ao Pinhão, já em Alijó - ou na lota de Matosinhos.
"O objetivo é perceber que tipo de habitat frequentam e a sua variação ao longo de um ano", explica Joana Faria, de 28 anos, referindo que as gaivotas fazem "viagens longínquas" e mudam as dietas quando chega o momento de alimentar as crias, passando a comer mais peixe. A investigadora descobriu ainda que aquelas aves ingerem também vidros, metal, plástico ou ossos.
O GPS é colocado às costas da gaivota, numa minimochila, e permite saber que frequentam não só o centro de reciclagem de Lustosa/Sousela (Lousada) e o aterro de Sermonde (Vila Nova de Gaia), mas também a estações de tratamento da área metropolitana do Porto, e portos de pesca.
"Numa semana, a localização da gaivota pode variar muito e isso é um problema difícil de resolver", indica Pedro Rodrigues, da Sociedade Portuguesa de Estudo das Aves, que apoia a investigação. Refere que, num dia, uma gaivota pode deslocar-se a Espinho, no outro visita uma lixeira, a seguir vai para a Baixa do Porto, podendo mesmo subir o rio Douro até ao Pinhão e voltar depois, novamente, à cidade.
A proliferação de novos restaurantes na zona histórica da Invicta serve também de atrativo para aquelas aves - que se revelam difíceis de afastar da cidade, uma vez que aprendem a reconhecer disparos falsos ou alarmes de aves de rapina por causa da "habituação", explica o especialista.
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