Gang ameaça juízes (C/VÍDEO)

A confusão instalou-se ontem no início do julgamento de 15 elementos do gang de Valbom, acusados de mais de 20 crimes violentos, entre os quais vários assaltos a ourivesarias, carjackings e diversas tentativas de homicídio em discotecas.

09 de março de 2010 às 00:30
Gang ameaça juízes (C/VÍDEO) Foto: Diogo Pinto
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A juíza-presidente suspendeu a sessão para ordenar a revista de todos os presentes na sala de audiências do Tribunal de S. João Novo, no Porto. Em causa estava a recolha de imagens por parte de arguidos que estão em liberdade. Ao que apurámos, pelo menos dois deles fotografaram com o telemóvel os juízes, a procuradora e os jornalistas.

"Há fundadas suspeitas de que um ou mais arguidos dos que estão em liberdade recolheram fotos aos elementos do colectivo quando nos encaminhávamos de um dos gabinetes para a sala de audiências. A recolha, para além de proibida por lei, faz suspeitar da sua finalidade", anunciou a juíza. Os agentes da PSP, presentes na sala, revistaram todas as pessoas e os telemóveis, mas já não encontraram qualquer imagem proibida.

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A sessão foi retomada com o depoimento de Pedro ‘Pitbull’, um dos nove arguidos que estão em prisão preventiva e o único elemento do gang que aceitou falar. O detido disse não estar de acordo com os factos da acusação que o pronunciou por dois crimes de roubo agravado, um de ofensa à integridade física simples e três de homicídio simples na forma tentada.

"Nunca roubei nem tenho experiência nisso", disse ‘Pitbull’. O arguido revela que o roubo de um Audi A8, ocorrido a 3 de Julho de 2008, "não passou de uma burla". "O dono do carro disse-me que estava com dificuldades em vender o Audi, porque tinha um seguro de 28 mil euros contra todos os riscos, e falou em simular o roubo", contou, acrescentando que está arrependido pelo facto.

PORMENORES

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DISPOSITIVO POLICIAL

O edifício foi rodeado de fortes medidas de segurança por o grupo ser considerado muito perigoso. No tribunal apenas se realizaram julgamentos com poucos arguidos.

NOVAS SESSÕES

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Hoje, amanhã e quinta-feira prossegue o julgamento durante todo o dia. Amanhã vai ser ouvido o inspector da PJ que foi baleado por Filipe ‘Bianchi’.

CRIMES

Assaltos a ourivesarias à mão armada, homicídio tentado, carjackings, sequestro, furto, tráfico de armas, tráfico de estupefacientes, falsificação de documentos e receptação são alguns dos crimes imputados.

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GANG DE VALBOM

Grupo foi desarticulado na ‘Operação Charlie’, realizada pela PJ em Setembro de 2008.

ADVOGADO DE 'SKIN' GARANTE QUE ARGUIDO NÃO ASSALTOU FEIRA DO OURO

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Na sessão de ontem, o advogado de Bruno Coutinho ‘Skin’ – um dos nove arguidos que estão em prisão preventiva – aproveitou para falar ao colectivo. "Está há mais de um ano preso injustamente por factos que não cometeu", alegou o causídico, referindo-se em concreto ao assalto à ourivesaria Feira do Ouro, ocorrido no Verão de 2008.

O advogado garante que ‘Skin’ não terá tido qualquer participação no violento roubo, em que a dona da ourivesaria foi manietada e ameaçada com uma arma de plástico. Na altura, os arguidos, encapuzados e armados, rebentaram com a porta da loja, na rua de Santa Catarina, no Porto, de onde roubaram cerca de quatro mil euros em ouro, jóias e diamantes. Fugiram a alta velocidade.

ATIRA EM PJ E ESTÁ EM LIBERDADE

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Filipe ‘Bianchi’, em liberdade desde Março de 2009 por ordem do tribunal, liderava o núcleo duro do grupo. Esteve acusado da tentativa de homicídio do inspector da PJ do Porto, Carlos Castro, em sequência de um carjacking à porta da casa do polícia, mas a juíza entendeu que a acusação tinha sido mal elaborada. Mesmo depois de o inspector ter reconhecido ‘Bianchi’ como o homem que o alvejou na mão na noite de 16 de Abril de 2008.

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