GNR tira da rua cabo que vendeu a arma a doente psiquiátrico

Jorge Ribeiro, 42 anos, está acusado de tráfico de armas agravado. O militar continua no Posto da GNR de Porto de Mós, mas só faz serviço administrativo.

23 de março de 2026 às 01:30
Casa de Saúde de Santa Catarina, no Porto Foto: David Monteiro
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O cabo da GNR de Porto de Mós, acusado de tráfico de armas agravado, por ter vendido o revólver, que foi usado por um doente psiquiátrico para a matar a mulher, em setembro do ano passado, numa clínica, no Porto, foi retirado do serviço de patrulha. Jorge Ribeiro, de 42 anos, foi colocado pelo Comando Distrital de Leiria a fazer serviço administrativo. A GNR instaurou um processo disciplinar ao militar, no entanto, o processo está pendente, a aguardar a decisão dos tribunais civis. O militar pode vir a ser condenado a uma pena até 12 anos de prisão, por pertencer às forças de segurança.

O Ministério Público (MP) do Departamento de Investigação e Ação Penal do Porto acusou, na terça-feira da semana passada, o cabo da GNR, no caso do homicídio de Elisabete Martins de 51 anos. Para o MP, Jorge Ribeiro vendeu a arma, sem estar autorizado para o fazer, para ganhar dinheiro. "O arguido Jorge Ribeiro procedeu à venda do referido revólver ao arguido Pedro Martins, fazendo-o fora do circuito comercial devidamente condicionado e controlado, com o propósito de retirar o respetivo provento económico", refere a acusação.

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A arma, um revólver calibre .32, que foi vendida por três mil euros a Pedro Martins, foi apreendida pela Polícia Judiciária do Porto no dia do homicídio de Elisabete Martins, a 5 de setembro do ano passado, na Casa de Saúde de Santa Catarina. A mulher, de 51 anos, foi morta com quatro tiros enquanto dormia. Estava na clínica como acompanhante do marido, doente psiquiátrico, que tinha sido internado voluntariamente no dia anterior, para tratar o quadro psicótico de delírio em que se encontrava. Depois de disparar quatro vezes sobre a mulher, a curta distância, na cabeça, peito e braços, o empresário de 51 anos ainda tentou suicidar-se com a mesma arma.

A mulher foi encontrada já sem sinais vitais pelo enfermeiro que estava de serviço naquela madrugada. O marido estava de joelhos junto à cama, também ferido,com a arma junto da mão direita. Pedro acabou por ser detido pela PJ e está acusado de homicídio. Está internado no Hospital Prisão de Santa Cruz do Bispo, em Matosinhos. O Procurador que deduziu a acusação diz que o homem é inimputável, mas "apresenta perigosidade", devido à sua perturbação psicótica. O MP sugere que lhe seja aplicada uma medida de segurança.

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