Grupo acusado de montar laboratório de produção de droga na Feira começou a ser julgado
Arguidos estão acusados de crimes de tráfico e outras atividades ilícitas, associações criminosas, branqueamento, falsificação ou contrafação de documento e condução de veículo sem habilitação legal.
Um grupo que alegadamente se dedicava à importação e transformação de pasta de cocaína num laboratório situado em Santa Maria da Feira, no distrito de Aveiro, começou esta segunda-feira a ser julgado no Tribunal local.
Os arguidos (cinco pessoas individuais e uma sociedade) estão acusados pela prática de crimes de tráfico e outras atividades ilícitas agravado, associações criminosas, branqueamento, falsificação ou contrafação de documento e condução de veículo sem habilitação legal.
O processo tem ainda mais três arguidos que vão ser julgados num processo à parte, porque se encontram em parte incerta.
Durante a sessão, o tribunal ouviu um cidadão argentino que foi o responsável pelos preparativos para a montagem do laboratório.
O homem, que foi ouvido após a juíza presidente ter ordenado a saída dos restantes arguidos da sala de audiências, começou por dizer que veio para Portugal em 2023 a convite de outro arguido, com quem tinha negócios de droga e que lhe contou que necessitava de abrir um laboratório de cocaína.
"Ele disse que ia receber 1.200 quilos de pasta base todos os meses, vindos da América do Sul", disse o arguido, afirmando que aceitou o trabalho porque precisava de dinheiro, e que iria receber mil euros por cada quilo de droga produzido.
Ao longo do seu depoimento, o arguido explicou os preparativos para a preparação do laboratório, que começou a funcionar em abril de 2024, e as conversas que manteve com dois colombianos que viviam em Madrid, que apelidou de "cozinheiros/químicos", que "diziam o que fazia falta".
Explicou ainda que Santa Maria da Feira foi o local escolhido para a localização do laboratório porque foi onde encontraram um conjunto de armazéns que correspondia às características pedidas pelo principal arguido: "um lugar tranquilo, com o mínimo de vizinhos possível".
O laboratório, que funcionou num armazém isolado nas Caldas de São Jorge, em Santa Maria da Feira, foi desmantelado em agosto de 2025, durante a operação "Cristal Lab" desenvolvida pela Polícia Judiciária (PJ), tendo sido apreendidos mais de 14 quilogramas de cocaína, correspondendo a 67.695 doses individuais.
Segundo a acusação do Ministério Público (MP), a atividade era liderada por três dos arguidos, cabendo a dois deles tarefas de importação e escoamento final do produto, ficando o terceiro arguido responsável pela logística, que incluiu o arrendamento das instalações do laboratório e a contratação dos demais arguidos para o auxiliarem na tarefa de transformação do produto.
Alguns dos arguidos contratados assumiram, ainda, tarefas no exterior (transporte ou intermediação de negócios de venda de cocaína).
De acordo com os investigadores, a atividade do laboratório decorreu, essencialmente, nos períodos noturnos, tendo sido produzidos mais de 140 quilos de cocaína, com um preço de venda ao consumidor superior a 2,8 milhões de euros.
O MP imputou ainda ao arguido responsável pela logística, o uso de documentos de identificação falsos (cartão de cidadão inexistente de nacionalidade croata e título de condução falso) para circular na via pública, alugar veículos automóveis, arrendar as instalações do laboratório, constituir a sociedade arguida, abrir contas bancárias, contratar os demais arguidos e declará-los na Segurança Social.
Imputa-se também, a dois dos arguidos, atos de branqueamento dos dividendos do crime, por conversão na instalação e equipamento de um ginásio, aquisição de imóvel e dissipação por contas bancárias.
O MP formulou pedido de perda de vantagens da atividade criminosa.
Os cinco arguidos aguardam o desenrolar do processo em prisão preventiva, sendo que um deles está à ordem de outro processo.
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