HINDUS APELAM À CONVIVÊNCIA

Os sapatos ficaram cá fora, pendurados em sacos de plástico transparentes. Os pés entraram nus na tenda erguida junto do Templo Radha-Krishna, em Lisboa, onde o líder espiritual indiano Morari Bapu recitou ontem, um dos poemas épicos da tradição hindu - o Ramayan, que relata a história e os ensinamentos de Rama, uma encarnação da divindade.

04 de agosto de 2002 às 22:46
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Muito concorrida, esta cerimónia marcou o final das comemorações do 20º aniversário da Comunidade Hindu em Portugal.

Comodamente reclinado, Morari Bapu entoou aquele texto sagrado do Hinduísmo, que apresenta um código de comportamento ético do indivíduo na sociedade, como resumiu Ashok Hansraj, porta-voz da Comunidade Hindu de Portugal, com cerca de nove mil elementos.

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Segundo afirmou o mesmo responsável ao Correio da Manhã, a escolha do Ramayan deve-se ao facto de ali estar contido um apelo à harmonia, considerado “pertinente num momento conturbado como aquele que vivemos, em que a nota predominante é o egocentrismo”.

“Agora talvez mais do que nunca faz sentido reforçar a consciência da importância de conviver com as pessoas e lembrar que para além de uma família em sentido estrito, existe uma família social, nacional e universal”, tornou claro Ashok, quando, no interior da tenda, as mulheres, envergando belos saris, os homens e as crianças levantaram as mãos, entoando em coro uma saudação à divindade - ”hare Krishna”. Finda a récita, centenas de fiéis subiram até à entrada do templo, onde se acendeu uma chama, símbolo da vida.

FLUXOS MIGRATÓRIOS

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A Comunidade Hindu desenvolveu--se em Portugal a partir de 1975, na sequência da descolonização de Moçambique. Os hindus portugueses são, na sua maioria, originários daquele país e de Estados do Gujarat pertencentes à Índia Portuguesa.

Mas, segundo o porta-voz da comunidade, registou-se recentemente um segundo fluxo migratório, formado por pessoas que vieram da Índia e de outros países não lusófonos.

“São, na sua maior parte, operários da construção civil e acabaram por não ficar em Portugal, que foi apenas um ponto de passagem para outros países”, adiantou Ashok.

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