Homicida quer provar que pai da vítima lhe devia dinheiro

Joaquim Carneiro, de 71 anos, ficou em silêncio na primeira sessão do julgamento. É acusado de matar Pedro Oliveira, de 35 anos, num café em Fafe.

11 de março de 2026 às 18:05
Pedro Oliveira foi assassinado num café em Fafe. Tinha 35 anos Foto: Direitos Reservados
Joaquim Carneiro está a ser julgado pelo homicídio de Pedro Oliveira, em Fafe Foto: CMTV/Rodrigo Andrade

1/2

Partilhar

Ficou em silêncio na primeira sessão do julgamento, esta quarta-feira, no Tribunal de Guimarães. Mas Joaquim Carneiro, de 71 anos, acusado de matar Pedro Oliveira, de 35, em fevereiro do ano passado, num café em Arões, Fafe, quer provar que o pai da vítima lhe devia 200 contos (cerca de mil euros) por trabalhos feitos há cerca de 30 anos, que não terão sido pagos. A acusação do Ministério Público diz que a alegada dívida motivou a discussão que acabou na morte de Pedro.

Ouvido em Tribunal na qualidade de assistente, o pai da vítima garantiu que não tinha qualquer dívida. "Nunca me pediu um tostão", afirmou, garantindo, "nós pagamos tudo ao senhor Carneiro. Nunca houve nada que não fosse pago", vincou Manuel Oliveira, visivelmente consternado. Adiantou que deixou de trabalhar com Joaquim Carneiro por este ser "agressivo" e "conflituoso". "Por qualquer coisa mostrava a pistola", garantiu. O pai da vítima mortal chorou ao contar ao Coletivo como tem sido difícil o último ano após a morte do filho. "Tem sido muito difícil. Para mi, para a mãe e para os irmãos", disse, em lágrimas.

Pub

Pedro Oliveira foi morto com um tiro no peito, a 9 de fevereiro do ano passado, no café Pérola Central, em Arões. A acusação diz que o homicida se referiu ao pai da vítima como "caloteiro" e que Pedro lhe pediu que não usasse essas palavras quando falasse do pai. Carneiro tirou do bolso uma arma carregada, uma pistola calibre 6,35 milímetros, e disparou a 80 centímetros de distância. Fugiu depois e entregou-se no dia seguinte às autoridades. O homicida está em prisão preventiva na cadeia de Braga desde a altura do crime.

As testemunhas que foram ouvidas em julgamento, que estavam no café e assistiram ao crime, apresentaram versões diferentes. A presidente do Coletivo chegou a desabafar estar impressionada com as várias versões. "Como é possível que num espaço tão pequeno, num evento tão rápido, haja tantas versões", atirou.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar