Imagens de violência na PSP do Rato foram partilhadas no "Grupo sem Gordos"
Suspeitos cortaram rastas a um detido. Imagens foram partilhadas e comentadas num grupo do WhatsApp.
Após ter recebido a notificação de mais uma mensagem no WhatsApp, Gonçalo Rodrigues, agente da PSP, viu a foto e comentou: "Vai andar na rua de cabeça baixa". Na mensagem, seguia uma fotografia de um cidadão natural de Cabo Verde a quem as rastas tinham sido cortadas no interior da esquadra do Rato e partilhadas no "Grupo sem gordos", na rede social WhatsApp.
Era através desta plataforma e naquele grupo especificamente, segundo o mandado de detenção aos 15 elementos da PSP, emitido pelo Ministério Público, que os polícias partilharam várias imagens de detidos agredidos. Ao contrário de outro grupo de WhatsApp, com 70 elementos das forças policiais, o "Grupo sem gordos" contava apenas com sete, entre os quais os Guilherme Leme , João Melo, Tiago Silva, Gonçalo Rodrigues e Tiago Lourinho.
Depois de a fotografia chegar ao grupo, Miguel Ferreira comentou: "Esse nunca mais se esquece"; Gonçalo Rodrigues: "Vai andar na rua de cabeça baixa; quando vir a cor azul, ele corre"; Miguel Ferreira voltaria à conversa: "Foi pena não ter morrido esse p********; eu metia o gajo no Tejo"; ao que Gonçalo Rodrigues advertiu: "Mano, se tivesse morrido, távamos na m****".
Quando foi detido e levado para a esquadra, o homem retratato na fotografia foi, de acordo com o Ministério Público, alvo de várias agressões. Detido por posse de uma faca, terão sido com este mesmo objeto que lhe cortaram as rastas e filmaram o momento, durante o qual, ainda de acordo com o Ministério Público, um dos polícias presentes, Rafael Freitas, comentou: "Vou mandar este vídeo à minha namorada".
Esta quarta feira, o Ministério Público deteve 15 elementos da PSP, dos quais dois são chefes, por suspeitas de tortura e maus tratos.
De acordo com um comunicado entretanto enviado às redações, a PSP confirma que foram emitidos 15 mandados de detenção para polícias da PSP e um para um civil e que se encontram em curso 14 buscas domiciliárias e 16 não domiciliárias, estas últimas em esquadras da Polícia de Segurança Pública.
Segundo essa nota, estas diligências acontecem no âmbito do segundo inquérito relativo a factos ocorridos nas Esquadras do Rato e do Bairro Alto.
Os detidos serão presentes, esta quinta feira, a um juiz de instrução, no Campus da Justiça, em Lisboa.
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