Inquérito a médico não foi revelado
A Defesa de João Vasconcelos Vilas Boas, psiquiatra de 48 anos que está a ser julgado, acusado de ter violado uma jovem paciente grávida de oito meses, no seu consultório, conseguiu impedir que o inquérito de que está a ser alvo o médico, por parte da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), fosse revelado, ontem, no Tribunal de S. João Novo, no Porto.
O inspector António Pereira foi arrolado como testemunha por parte da vítima, de 30 anos, mas pouco pôde adiantar. É que a Defesa do psiquiatra apresentou um requerimento em que pedia que nenhuma informação constante do inquérito, que ainda estará a decorrer, fosse revelada na sala do tribunal. O colectivo de juízes aceitou e o inspector da IGAS pouco tempo passou na sala de audiências, numa sessão à porta fechada.
Ontem foram ouvidas cinco testemunhas de acusação, quatro das quais médicas que assistiram a grávida. A próxima sessão está marcada para 12 de Maio, com a audição de ainda quatro testemunhas de defesa e elementos da PJ envolvidos na investigação. Na próxima audiência poderão começar a ser ouvidas as testemunhas do psiquiatra João Vasconcelos Vilas Boas, que arrolou 14 testemunhas, entre as quais o conhecido sexólogo Júlio Machado Vaz, um juiz-desembargador e uma magistrada do Supremo Tribunal Administrativo.
Na primeira sessão, a vítima recordou como foi violada pelo médico que, na primeira consulta no seu consultório, na Foz, lhe disse que o tratamento iria demorar dois anos. A jovem mãe disse que tudo começou quando se recusou a fazer sexo oral ao psiquiatra. Contou que foi agarrada pelo cabelo, atirada para o chão e manietada, antes de ser consumada a violação. João Vilas Boas negou parcialmente a versão, contando que agiu por impulso, mas negando não ter havido consentimento por parte da vítima. Disse estar, no entanto, arrependido e ter vergonha do seu acto.
PORMENORES
TRABALHA NO IDT
O médico foi proibido de dar consultas no privado, mas mantém--se em função no Instituto da Droga e Toxicodependência.
MUDOU VERSÕES
O clínico negou, inicialmente, as relações sexuais, mas acabou por admiti-las aos juízes.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt