Diretor da PJ militar em prisão preventiva

Autor de furto também fica em prisão preventiva. Restantes arguidos estão em liberdade, mas suspensos de funções. Luís Vieira vai recorrer de prisão preventiva.

28 de setembro de 2018 às 13:33
Luís Vieira, diretor-geral da PJ Militar, no momento e em que foi detido Foto: CMTV
inspetor da PJM, Núcleo de Investigação Criminal, Tancos Foto: CMTV
Amigos juntam-se para travar PJ no caso do furto em Tancos Foto: Paulo Novais/Lusa
Tancos, militar, PJ militar Foto: CMTV

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O diretor da PJ Militar e o civil responsável pelo furto de armamento em Tancos ficaram, esta sexta-feira, em prisão preventiva. Os restantes suspeitos da 'Operação Húbris" saíram em liberdade, mas foram suspensos de funções. 

Recorde-se que o Ministério Público pediu, como medida de coação, prisão preventiva para todos os arguidos do caso de Tancos.

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Diretor da Polícia Judiciária Militar vai recorrer de prisão preventiva

"Não estava à espera [da decisão], pelo interrogatório que foi feito ao meu constituinte e pela convicção que mantenho de que está inocente", disse aos jornalistas Rui Baleizão, à porta do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) de Lisboa.

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O advogado adiantou que na segunda-feira vai pedir os autos e que depois recorrerá da decisão.

Interrogatório durou até de madrugada

O interrogatório dos detidos terminou já na madrugada desta sexta-feira, por volta das 03h00, com o depoimento de um inspetor da Polícia Judiciária Militar.

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À saída do tribunal, já depois das 03h00, o advogado de defesa, João Magalhães, disse que o seu cliente "esclareceu tudo o que o tribunal queria ver esclarecido, respondeu com verdade aos factos pelos quais via necessidade de esclarecer o tribunal".

"Tais factos, como é timbre de pessoas com elevada galhardia militar, deram a explicação que o tribunal lhe pediu, de forma clara e castrense", adiantou.

O advogado disse esperar que o tribunal compreenda o peso que tem a hierarquia militar, dentro daquilo que é o exército, e que compreenda que há um poder político que deveria refletir sobre as palavras de um ministro que, a seu ver, "devia estar aqui".

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"O exército é uma instituição de respeito", sublinhou. João Magalhães argumentou que o poder político, "tal como também não respeita os médicos, também não respeita as necessidades que o exército tem para ver cumprida a sua posição".

"Estamos a lidar com material extremamente perigoso, com organizações bastante poderosas e creio que o Governo deve refletir sobre a situação que se criou", acrescentou.

João Magalhães salientou que o episódio revelou "debilidades que o exército enferma e que foram objetivamente alvo de uma tentativa de compensação pelo esforço que a PJ militar fez para recuperar esse armamento, que foi subtraído de dentro de um quartel".

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Na opinião do advogado, "estava em jogo a honra do exército perante uma situação que foi embaraçante para o próprio exército".

A Operação Húbris investiga o aparecimento na Chamusca em outubro de 2017 de material furtado em Tancos e, segundo o Ministério Público, em causa estão "factos suscetíveis de integrarem crimes de associação criminosa, denegação de justiça, prevaricação, falsificação de documentos, tráfico de influência, favorecimento pessoal praticado por funcionário, abuso de poder, recetação, detenção de arma proibida e tráfico de armas".

O furto de material militar dos paióis de Tancos - instalação entretanto desativada - foi revelado no final de junho de 2017. Entre o material furtado estavam granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições.

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