Jogadores ilegais culpam dirigente que já morreu. Atletas mudam as versões e afastam responsabilidade de 'Catão'

Foram instaurados processos por falsas declarações.

23 de março de 2026 às 14:55
Vítor Catão está a ser julgado no Tribunal de São João Novo Foto: José Coelho/Lusa
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Dois jogadores, que estiveram no clube do São Pedro da Cova em situação ilegal, mudaram a sua versão no julgamento, onde Vítor ‘Catão’ é um dos arguidos. Os atletas culpam agora o então presidente do clube de Gondomar, Orlando Rocha, que entretanto faleceu. Nas primeiras declarações em 2022, os dois jogadores atiraram responsabilidades para ‘Catão’, que era o diretor desportivo, e para o treinador Armando Santos. A procuradora considera que mentiram agora no Tribunal de São João Novo, no Porto, e pediu a extração de certidões para que sejam instaurados processos-crime às testemunhas por falsas declarações.  

“Estive cá uma temporada, o presidente queria-me regularizar e tudo mais. O presidente estava no estádio muitas vezes. Ele aparecia na hora dos treinos. Ele disse-me que ia fazer isso (tratar da regularização) quando eu cheguei, mas acabou por não o fazer”, disse Luan Oliveira, um dos jogadores ouvidos, que agora está no ‘Praiense’, um clube dos Açores. 

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Também Odailson Figueiredo, que agora joga no Espinho, disse que quem mandava era o presidente. Nas anteriores declarações imputou responsabilidades a ‘Catão’, conhecido adepto portista e já condenado na operação ‘Pretoriano’. “Não sei se está a proteger alguém, se já falou com alguém. "O senhor parece que não está a falar à vontade", afirmou a juíza, mas o atleta negou qualquer pressão. "Isto aconteceu há cinco anos, tenho de pensar. Estou nervoso, incomodado”, alegou Odailson. 

Os factos remontam à época 2018/2019 e diz o Ministério Público que Vítor ‘Catão’ e Armando Santos trouxeram 11 jogadores ilegais do Brasil para jogarem no São Pedro da Cova. Pouco ganhavam e dormiam debaixo da bancada do estádio, num local onde foram colocados beliches. Os dois atletas ouvidos confirmaram que viviam naquele local, mas negam que as condições fossem más ou que passassem frio. “O inverno é difícil sempre em todo o lado, era frio normal de inverno. Cheguei lá e tinha tudo”, disse Odailson. 

Já Luan garantiu que o espaço também tinha várias comodidades. “Eram boas, do meu ponto de vista. Tinha condições, água quente, também ‘videogame’, tinha tudo”, alegou. 

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Nesta sessão foi ainda ouvido um inspetor da SEF, que chegou a fazer uma inspeção no estádio. “Os jovens que vêm têm o sonho de jogar na Europa, singrar em outros clubes, em ligas mais competitivas. Correm o risco de vir para Portugal e tentar esse sonho, é apelativo”, alegou Otelo Magalhães, que deu conta de que cabe aos jogadores amadores regularizarem-se. 

'Catão' - que na operação 'Pretoriano' levou 3 anos 3 meses de pena suspensa - está acusado de 11 crimes de auxílio imigração ilegal e outros 11 de angariação de mão de obra ilegal. Armando Santos responde pelos mesmos crimes.

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