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"Davam 50 euros aos jogadores para um desodorizante ou cortar o cabelo"

Vítor 'Catão' está a ser julgado por recrutar 11 jogadores ilegais para o São Pedro da Cova. Treinador também é arguido

02 de março de 2026 às 17:09

Vítor 'Catão' - conhecido adepto portista - negou esta segunda-feira em tribunal ter recrutado jogadores ilegais para o São Pedro da Cova, um clube de Gondomar, onde foi diretor desportivo. Os factos remontam à época 2018/2019 e diz o Ministério Público, que 'Catão' e Armando Santos, que era treinador, permitiram a entrada dos atletas. Dormiam em beliches, num espaço improvisado no estádio do São Pedro da Cova e ganhavam entre 150 a 300 euros.

O primeiro a prestar declarações foi o antigo treinador, que negou ter cometido qualquer crime. "Eu não posso ter nada a ver com isso, eu era apenas o treinador do plantel. A minha função era só treinar, não tinha nada a ver com o resto”, explicou Armando, dando conta de que começou a ser contactado para receber jogadores. “A equipa lutava sempre para não baixar de divisão, a equipa era muito, muito fraca. Quando entrei não aproveitamos nenhum atleta. Depois nas redes sociais quando eu anunciei que ia ser treinador comecei a ser contactado. Diziam ‘olha tenho aqui este ou outro atleta’, e eu dizia para contactarem o presidente", alegou,

Já sobre as condições em que os jovens viviam, o antigo treinador descreveu que dormiam no estádio, num espaço amplo, onde existiam beliches. Não tinham salário fixo. “Uns ganhavam 50 euros, 100 euros. Mas isso não era fixo. Se corria bem o senhor Orlando [presidente à data dos factos] dava 50 euros para comprar um creme, um desodorizante. Também para cortar o cabelo. Mas isso não era sempre, não era um dinheiro certo”, afirmou, tendo dado conta de que não se recebe nessas divisões.

Um dos juízes contrariou depois estas declarações do ex-treinador e confrontou-o com o facto dos jogadores receberem ajudas de custo. "Acha que não se recebe? Recebe-se e bem. Sabe como se chama? Ajudas de custos. E na Liga Pro do Porto ganha-se mais do que em alguns clubes do Campeonato de Portugal”, alegou o magistrado.

Também Vítor 'Catão' - que foi condenado a três anos e três meses na operação 'Pretoriano' - negou os crimes. "Há dois clubes que eu amava muito: o FC Porto e o São Pedro da Cova. Com o FC Porto já foi o que foi e com o São Pedro da Cova está a ser agora. Eu não tenho nada a ver com isto. Nunca roubei e nem nunca deixei roubar e por isso é que eu sou uma vítima no mundo do futebol", afirmou Vítor 'Catão', que foi julgado na operação 'Pretoriano' e condenado a 3 anos e 3 meses de pena suspensa. 

O antigo diretor desportivo do São Pedro da Cova - clube que estava na Divisão Elite Pro-Nacional - alegou que era o então presidente e o secretário que inscreviam os jogadores na Associação de Futebol do Porto. "Eu era apenas um homem que ajudava no campo, quando era preciso ir a uma piscina eu ia, quando era preciso ir a um pavilhão também ia, falava também com os jogadores”, alegou 'Catão', que diz que não mexia com "papéis".

Já sobre o local onde os atletas, de nacionalidade brasileira, viviam, 'Catão' tentou alegar que era um local com boas condições. "Os jogadores dormiam no São Pedro da Cova, no estádio. Era uma sala com 3,90 metros de altura, com janelas e luz direta, tinha uma porta e alcatifa. Tinha divisórias, mas só dormiam duas pessoas em casa divisão. Um jogador até me disse que preferia dormir antes ali do que no Brasil, que lá dormia num tapete”, contou.

Confrontado com uma entrevista, onde falava dos seus feitos no São Pedro da Cova, o conhecido adepto alegou que apenas se quis "gabar e dar a ideia de "menino bonito". Alegou ainda que a sua assinatura foi falsificada num contrato que envolvia um jogador. "Esta assinatura é falsa, além de ser falsa eu nunca vi este contrato", disse.

O ex-diretor alegou ainda que os atletas não tinham salário. "Tinha um jogador que pedia dinheiro por vezes para carregar o telemóvel, para comprar uns iogurtes, para cortar o cabelo, que ele era muito vaidoso. Outros jogadores também pediam e eu dizia ao presidente. Era para carregar telemóveis ou dinheiro para umas frutas", afirmou.

Neste processo estão em causa 11 crimes de auxílio à migração ilegal e outros 11 crimes de angariação à imigração ilegal.

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