Julgado grupo suspeito de burlas superiores a 800 mil euros com mensagens fraudulentas
Alegado líder do esquema permanece em silêncio. Entre os arguidos estão nove homens e nove mulheres.
O Tribunal de São João Novo, no Porto, começou esta segunda-feira a julgar 18 arguidos suspeitos de burlas com mensagens fraudulentas superiores a 800 mil euros, com o alegado líder do esquema a ficar em silêncio.
Os arguidos, nove homens e nove mulheres, estão acusados de dezenas de crimes de burla informática, falsidade informática, acesso ilegítimo, associação criminosa e branqueamento de capitais.
Na primeira sessão do julgamento, esta manhã, a maioria dos arguidos optou por ficar em silêncio e não prestar declarações, estando o alegado mentor do esquema entre os arguidos que optaram por não falar "para já".
Segundo o JN, que cita a acusação, aquele arguido, com vários familiares, a partir de uma vivenda em Vila Nova de Gaia, montou um esquema de envio de mensagens fraudulentas em nome do Banco de Portugal e criou páginas de 'internet' falsas de vários bancos, apoderando-se de dados pessoais das vítimas.
Uma vez na posse dos dados bancários das vítimas, o grupo transferia dinheiro da conta destas para alegados testas de ferro, sendo que o Ministério Público identificou como "património incongruente" cerca de 870 mil euros.
Em tribunal, um dos arguidos explicou que foi "muito ingénuo" e que apenas confiou num amigo, também arguido e familiar do líder: "Ele pediu-me para ceder a minha conta para receber uma transferência e eu disse que sim. Depois pediu-me o cartão multibanco e eu dei", explicou.
E continuou: "Ele disse que era para receber o dinheiro da venda de um carro, 14 mil euros. Depois voltou a pedir o cartão e a avisar-me que ia entrar mais dinheiro, também da venda de um carro e entraram na conta mais três mil euros e mais dois mil", disse.
Por estas transferências, admitiu o arguido, foram "deixados na conta" cerca de 700 euros no total: "Eu fui ingénuo, confiei. Não sabia para o que era", disse.
Outra das arguidas que aceitou prestar declarações explicou que também lhe pediram "a conta emprestada" para receber dinheiro: "A explicação é que o meu amigo que me pediu a conta não podia receber dinheiro na dele por causa de umas dívidas e eu achei que não tinha mal nenhum", referiu.
A esta arguida terá sido prometido o pagamento de 100 euros "pela ajuda", mas este pagamento acabou por não acontecer porque o telemóvel da arguida "ficou sem bateria e a transferência não foi feita".
A sessão continua da parte de tarde com a audição das primeiras testemunhas.
Dos 18 arguidos, seis, quatro homens e duas mulheres, estão a responder ao processo em prisão preventiva nos Estabelecimentos Prisionais de Santa Cruz do Bispo, Monsanto, Custóias e Tires.
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