Luz verde para as obras
Um milhão e meio de euros é quanto vão custar os 71 pontos que constam da longa lista de obras necessárias à reconstrução do prédio de Setúbal danificado em Novembro por uma explosão de gás.
Os 160 moradores do nº 13 da praceta Afonso Paiva têm hoje um dia decisivo: a reunião final com as vinte seguradoras para que possa ser desbloqueada a verba que permitirá tornar o edifício habitável. É o início de uma nova fase para as 48 famílias que desde o ano passado não fazem outra coisa se não contar os dias para voltar a casa.
Seis meses depois já regressaram à escola e ao trabalho, compraram novas roupas, alugaram casas e móveis provisórios. Mas os estilhaços da explosão ainda vivem com elas. Com a filha de dez anos de Horácio Celorico, que acorda a meio de uma noite de trovoada a gritar que o prédio está a cair. Com o filho de 16 anos de Júlia Brito que 'anda revoltado e perdeu o interesse na escola'. Com a filha deAlexandra Chaby que, aos sete anos, só pergunta quando é que pode regressar a casa.E os pais sem resposta para lhes dar. A resposta será dada hoje. No momento em que a verba for desbloqueada serão mais seis meses para a reconstrução. Mas os moradores também querem saber de quem foi a culpa da explosão. A essa pergunta responderá a investigação, ainda em curso.
'UMA GRANDE ANSIEDADE PARA VOLTAR'
Há um antes e um depois de 22 de Novembro, o dia em que Alexandra Chaby saiu de casa de manhã e voltou à noite. Seis meses depois, resta apenas um sofá no meio de um apartamento sem paredes. Sem paredes, ganhou a melhor vista sobre a cidade, do estuário do Sado à serra da Arrábida. Mas perdeu tudo o resto. 'É uma ansiedade muito grande para voltar. Era muito importante que a construção fosse rápida.' Para seguir em frente e 'encerrar este capítulo', Alexandra Chaby diz que precisa de 'saber o que aconteceu exactamente às 18h33'. E, tal como os restantes moradores, queixa-se do sigilo em que está envolta a investigação.
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