Maior ETAR ibérica é pesadelo de Frielas
Em oito anos, o número de crianças que frequentam a Escola Básica de Frielas (Loures) saltou de 20 para 90, mas em vez de viverem num ambiente saudável são confrontadas quase todos os dias com o cheiro pestilento da maior estação de tratamento de águas residuais (ETAR) da Península Ibérica.
Segundo o presidente da Junta de Freguesia local, Álvaro Cunha, “há dias em que o cheiro é insuportável”.
A ETAR de Frielas foi projectada para servir 700 mil pessoas, mas hoje recebe esgotos dos concelhos da Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e, em breve, de Mafra. Está sob jurisdição do Sistema Multimunicipal de Saneamento do Tejo e Trancão (Simtejo).
“Ao princípio, era um projecto com mais-valias”, recorda o autarca, já que se prometiam postos de trabalho, um grande investimento e a resolução dos problemas da ETAR. “Pensei que as coisas se iam resolver mais rapidamente do que está a acontecer. Melhoraram ligeiramente mas não estão bem”, sublinha Álvaro Cunha.
As lamas estão em tanques a céu aberto, sendo depois transportadas em camiões para a agricultura, onde servem de fertilizante. “O problema é quando são remexidas para serem carregadas nos camiões. É então que libertam os maus cheiros”, diz o autarca, que defende a construção de silos, de onde as lamas seriam directamente descarregadas para camiões sem contacto com o ar.
Fonte da Simtejo confirmou que “há um projecto para tapar parte dos equipamentos [tanques] e que irá minimizar os maus cheiros”. Contudo, esses projectos só poderão ir para concurso “quando a Simtejo tiver disponibilidade financeira” – o que não deve acontecer em breve, perante as dificuldades da empresa que vive sobretudo das contribuições dos municípios.
Além das queixas da população, o presidente da Junta confirma que também os empresários instalados na zona industrial reclamam dos maus cheiros, que podem ter levado a recuar algumas unidades interessadas em estabelecer-se ali.
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