Mais de 1500 presos em casa libertam espaço nas cadeias
Em apenas seis meses houve mais de mil pedidos para cumprir pena em domiciliária.
Neste momento, praticamente não há sobrelotação de presos a nível nacional. Mas levanta problemas ao nível de vigilância eletrónica. Continuamos a ter dificuldades quer em termos de pessoal quer de automóveis, que estamos a tentar resolver." Foi desta forma que o diretor-geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), Celso Manata, revelou esta segunda-feira que a população reclusa em Portugal "tem decrescido" de forma sustentada, o que se deve, sobretudo, ao incentivo da vigilância eletrónica, que está a "subir exponencialmente".
De acordo com os dados mais recentes, desde o início deste ano foram feitos 1059 pedidos para execução de penas e medidas fiscalizadas por vigilância eletrónica. No mesmo período de 2017 tinham sido apresentados 'apenas' 650 pedidos neste sentido. Recorde-se que esta medida resulta de uma alteração no Código Penal, introduzida em novembro, que permite a alguns reclusos cumprirem a pena de cadeia a que foram condenados em casa, com pulseira eletrónica.
Atualmente são 1504 os detidos nesta situação, um aumento de 50,24% face ao mesmo período de 2017. Do total, 669 casos (ou 45%) dizem respeito a situações de violência doméstica. Estes dados levam a que um dos problemas crónicos das cadeias portuguesas esteja minimizado nesta altura.
"Tínhamos um problema grave nas prisões e agora temos um problema complicado na vigilância eletrónica que, quando eu cheguei, não chegavam aos 1000 e agora são mais de 1500", afirmou Celso Manata, lamentando os "défices crónicos" na Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais . "Há muitos anos que começamos o ano com um orçamento que é inferior àquilo que foi o gasto do ano anterior e isto é um problema que temos de enfrentar. Se temos menos dinheiro as coisas não podem funcionar bem".
SAIBA MAIS
7,84 €
por dia é quanto custa uma pessoa em prisão domiciliária. Na cadeia, a mesma pessoa tem um custo que ultrapassa os 43 euros por dia. A medida é aplicável em penas de curta duração, condução com álcool e pequenos crimes.
Dois pirómanos em casa
No âmbito da nova lei, há dois incendiários em casa: um em liberdade condicional mas obrigado a prisão domiciliária durante o verão, o outro condenado a pena suspensa, mas obrigado a ficar em casa com pulseira até 30 de setembro.
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