Mandante de massacre do Meia Culpa é arrumador de carros
José Queirós diz que vive de reforma de cerca de 200 euros e de “umas moedinhas”. Cumpriu 20 anos de cadeia.
José Queirós, mandante da tragédia na boîte Meia Culpa, em Amarante, saiu da cadeia há quase dois anos e desde então é arrumador de carros. Cumpriu 20 anos de prisão por ter ordenado, a 16 de abril de 1997, o massacre que levou à morte de 13 pessoas. Agora, aos 71 anos, José tem uma pequena reforma, à qual junta o dinheiro que ganha num parque na cidade amarantina.
"Eu tinha tudo na minha vida, hoje não tenho nada. Só tenho roupa para vestir, 200 e poucos euros de reforma e umas moedinhas que me vão dando aqui", afirmou José Queirós, em declarações à TVI, dando conta de que se sentia melhor na cadeia.
Apesar de ter cumprido a pena de cadeia, José Queirós nunca assumiu a culpa pelo crime. Na altura em que saiu em condicional, o seu advogado deu conta disso mesmo.
"O meu cliente admite que deu dinheiro para que fossem destruídos mobiliário e equipamento do Meia Culpa, mas nunca foi equacionada a utilização de gasolina. Além disso, devia ter sido tudo feito quando o espaço estivesse fechado. Ele não sente, por isso, que a responsabilidade das mortes lhe seja imputável", disse Pedro Miguel Carvalho.
José Queirós - que foi condenada à pena máxima de 25 anos - era dono do Diamante Negro, uma boîte rival do Meia Culpa. Foi devido a essa disputa que contratou três homens para destruírem o espaço. Também eles foram condenados, mas já estão todos em liberdade. As famílias das vítimas ainda não receberam os 1,5 milhões de euros de indemnização.
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