Marinha pune tripulação do Mondego com até 90 dias de suspensão

Militares recusaram embarcar para fazer seguimento de navio espião russo alegando avarias graves no navio.

11 de abril de 2024 às 15:30
Navio ‘Mondego’, Marinha Foto: JOÃO HOMEM GOUVEIA/lusa
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A Marinha decidiu aplicar penas de suspensão de serviço a todos os 13 militares que faziam parte da guarnição do navio patrulha Mondego que a 11 de março de 2023 recusaram embarcar para fazer o seguimento de um navio espião russo que passou a apenas 30 km ao largo da ilha de Porto Santo, na Madeira, alegando avarias graves no navio e perigo para a vida. Vão apanhar entre 10 e 90 dias de suspensão, sendo as penas mais pesadas para os sargentos mais antigos e as mais brandas para os marinheiros mais novos.

De acordo com a Armada, o processo disciplinar foi concluído esta quinta-feira com a notificação, durante a tarde, de todos os 13 militares, quatro sargentos e nove praças, indicados por falha nos deveres militares e disciplinares. 

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"Durante a elaboração do processo disciplinar foi afastada, pelos tribunais administrativos, a suspeição sobre imparcialidade levantada pelos militares relativamente ao Comandante da Zona Marítima da Madeira, na qualidade de oficial instrutor do processo, e ao Comandante Naval, na qualidade de entidade com competência disciplinar", refere a Marinha.

O caso tem ainda em curso os inquéritos crime abertos pelo Ministério Público, sendo todos os 13 militares constituídos arguidos.

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A defesa dos militares descreve que foi "um inquisitorial processo em que (...) os militares do NRP Mondego foram prévia e sumariamente julgados, condenados e executados na praça pública, e que se caracterizou por toda a espécie de irregularidades e nulidades". Entre estas a "nomeação como instrutor de um dos intervenientes nos factos [que os tribunais administrativos aceitaram], sucessivas e injustificadas prorrogações dos prazos da instrução, indeferimento de todas as diligências de prova da defesa, desconsideração absoluta do Parecer/Relatório Técnico de um perito nomeado pela Marinha para o Tribunal Marítimo e negação de audiência pública".

Os militares alegaram problemas de estanqueidade do navio, risco de incêndio e de naufrágio, entre outros. 

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