Homem mata namorado por asfixia e enterra corpo no quintal da casa em Lourosa

Alcides tentou desviar as atenções do seu envolvimento na morte do companheiro com quem manteve relação de 25 anos. Foi agora acusado pelo Ministério Público.

08 de janeiro de 2026 às 01:30
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Alcides Silva, o homem que manteve uma relação de namoro de 25 anos com Manuel da Costa, que assassinou, a 15 de abril do ano passado, foi acusado pelo Ministério Público de Santa Maria da Feira de homicídio qualificado e de profanação de cadáver. Após asfixiar o companheiro, Alcides enterrou o corpo num terreno, no quintal junto à casa em que vivia, em Lourosa. De seguida, o suspeito saiu da habitação e foi comprar vinho, pão, peixe e fruta num hipermercado.

De acordo com a investigação, tudo aconteceu na casa de Alcides Silva, na rua 31 de Janeiro, em Lourosa, no concelho da Feira. Depois de uma violenta discussão entre o casal, o arguido asfixiou Manuel da Costa, de 55 anos, com as mãos, até à morte. O suspeito, de 59 anos, arrastou o corpo para o logradouro da habitação e abriu uma cova num local dissimulado pela vegetação. Foi aí que enterrou o cadáver, a pouco mais de 15 centímetros de profundidade, embrulhado num saco de serapilheira. Já o telemóvel de Manuel da Costa foi escondido numa habitação devoluta, localizada nas proximidades da casa do suspeito. O corpo, que estaria seminu, foi tapado, também, com terra e fetos secos. Ainda de acordo com o procurador, que o acusou, o casal manteve durante os 25 anos uma relação de namoro, mas sem coabitação. No entanto, suspeito e vítima mantinham encontros quase diários.

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Nos dias seguintes, Alcides Silva usou o cartão bancário da vítima para comprar álcool, alimentos e tabaco. Por desconhecer o código do cartão de multibanco, o arguido recorreu ao sistema contactless para concretizar os pagamentos. Na semana seguinte, a família e amigos de Manuel da Costa fizeram buscas e divulgaram o desaparecimento nas redes sociais, com pedidos desesperados de ajuda. Segundo a acusação pública, Alcides Silva, para desviar as atenções sobre si, afixou uma alegada mensagem de Manuel da Costa, no exterior do café 'Rochas Vivas’, local habitualmente frequentado pela vítima. No papel, o arguido terá escrito: “Estou a viver no Porto e o telefone é o 910000000”. Segundo a investigação, esta foi uma pista falsa plantada por Alcides Silva para dissimular e justificar o desaparecimento de Manuel da Costa.

O corpo acabou por ser encontrado, dez dias depois, pela GNR de Lourosa e pela Polícia Judiciária do Porto. Alcides Silva ainda tentou escapar mas foi encontrado, e detido, em São João de Vêr, também no concelho de Santa Maria da Feira, a poucos quilómetros de Lourosa.

Arguido preso responde por três crimes

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Além dos crimes de homicídio qualificado e de profanação de cadáver, Alcides Silva vai ainda responder em tribunal por abuso de cartão, dispositivo ou dados de pagamento. O arguido aguarda o início de julgamento, em prisão preventiva, que está a cumprir no estabelecimento prisional do Porto (cadeia de Custoias, em Matosinhos).

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