Mata o padrinho e apanha 15 anos
Pedro Peixoto assassinou Gaspar Roby, de 69 anos, com 27 facadas. Coletivo de juízes entende que o homicídio se revestiu de uma "especial perversidade"
Cabisbaixo e sem esboçar qualquer reação, Pedro Peixoto, de 21 anos, ouviu ontem o coletivo de juízes de Braga condená-lo a 15 anos de cadeia por ter esfaqueado o padrinho, de 69, por 27 vezes, até à morte. O tribunal considerou que o crime se revestiu de "especial perversidade".
"A vítima era o seu próprio padrinho, que o criou quase desde que nasceu", refere o acórdão. Na decisão dos juízes, pesou o número de facadas desferidas pelo jovem, na sequência de uma discussão motivada por dinheiro. O coletivo classificou de "insidioso" o meio utilizado para matar Roby – uma faca de cozinha de oito centímetros.
A favor de Pedro, estiveram a sua idade e o facto de ter sido o próprio a pedir socorro para o padrinho. O jovem, que tinha consumido drogas na tarde em que esfaqueou Gaspar Roby, assumiu em tribunal ter sido o autor das facadas, uma atitude que também o favoreceu. O seu advogado, Nuno Godinho, diz que vai recorrer da decisão para exigir a aplicação da medida de redução de penas para jovens delinquentes
O crime ocorreu a 26 de outubro do ano passado, no apartamento onde a família vivia. Gaspar Roby terá exigido ao afilhado que lhe entregasse os 80 euros que tinha recebido como pagamento de "uns biscates". Após a discussão, Pedro Peixoto foi à cozinha buscar uma faca e desferiu 27 golpes no padrinho, sete dos quais em órgãos vitais.
Gaspar Roby, filho da condessa de Infias e membro da aristocracia bracarense, acabaria por falecer durante a madrugada do dia seguinte.
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