Menor que matou a mãe em Vagos condenado a três anos de internamento em regime fechado
Rapaz de 14 anos foi julgado à porta fechada por um crime de homicídio qualificado, mas leitura da decisão é aberta ao público.
O menor acusado de matar a mãe em Vagos em outubro de 2025 foi condenado, esta sexta-feira, à medida tutelar educativa de três anos de internamento em regime fechado. Sendo que seis meses da pena já foram cumpridos.
O Tribunal de Família e Menores de Aveiro afirmou durante a leitura do acórdão que a família do jovem é funcional e que o menor revela insensibilidade afetiva e egocentrismo. Realçou que depois do primeiro disparo a mulher continuava viva, pediu-lhe calma e mesmo assim o rapaz de 14 anos matou a própria mãe com um segundo tiro na cabeça, não apresentando qualquer arrependimento ou culpa.
Segundo apurou o CM, o rapaz sabia que os pais tinham dinheiro em casa, mais de 30 mil euros.
Ficou ainda claro que o jovem não planeou cometer o crime mas idealizou a sua fuga. Dentro de um saco levava 32 mil euros. Para fugir, teve ajuda de um amigo e foi no cemitério, junto do jazigo da família, que escondeu a arma do crime.
O tribunal assume que existe um alto risco de reincidência mas frisa que não pode aplicar outra pena, uma vez que esta é a medida mais gravosa.
A medida tutelar educativa deve ser revista de seis em seis meses, para garantir um acompanhamento permanente. Vai ficar internado no Centro Educativo Santo António, no Porto, onde está desde que cometeu o crime. Vai, ainda, ter acompanhamento mensal, assim como o pai e o irmão.
A leitura da decisão durou mais de uma hora e o menor esteve ausente. Foi, depois, chamado para que tudo lhe fosse explicado. Quase todos os factos foram dados como provados. Almoçou com os pais e depois foi a casa buscar a arma. Tirou 32 mil euros e dólares e colocou tudo numa mochila. Foi quando a mãe chegou a casa, que o jovem a surpreendeu. Matou-a com dois disparos. No primeiro, a mulher ainda lhe pediu calma, mas o menor avançou para o segundo disparo. Tapou a mãe e foi ter com um amigo. Dirigiu-se depois ao cemitério onde escondeu a arma.
O caso remonta a 21 de outubro de 2025, quando a então vereadora da Câmara de Vagos Susana Gravato foi atingida por um disparo de arma de fogo, no interior da sua casa, na Gafanha da Vagueira, naquele concelho do distrito de Aveiro.
A vítima foi encontrada pelo marido que alertou os bombeiros. Apesar das manobras de reanimação realizadas, o óbito foi declarado no local pela equipa da Viatura Médica de Emergência e Reanimação.
Menos de 24 horas após o crime, a Polícia Judiciária (PJ) anunciou ter identificado o filho da vereadora como único suspeito da morte da mãe.
Em atualização
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