Mergulho para a morte
Um dia bem passado no mar na companhia de amigos acabou de forma trágica. Quatro jovens saíram anteontem de barco para a caça submarina em apneia, junto à Ponta da Piedade, em Lagos, a cerca de 150 metros da costa, mas um deles, de 19 anos, acabou inanimado no fundo do mar. Resgatado ainda com vida para terra, João Filipe Teixeira Marreiros viria a falecer horas depois, já no Hospital do Barlavento Algarvio, em Portimão.
Os jovens fizeram-se ao mar pela manhã. Cumprindo as regras de segurança, dois mantiveram-se no barco, enquanto os demais mergulharam. Mas alguma coisa correu mal: João não emergiu à superfície como seria normal. Os amigos – Tiago Correia, de 17 anos, André Correia, de 20, e João Correia, de 31 – alertaram o 112, mergulhando um deles à procura do colega.
Tiago Correia contou ao CM que fez três mergulhos até localizar João. Estava inconsciente a cerca de 20 metros de profundidade. “Tirei-lhe o cinto de chumbo e trouxe-o para o barco. O relógio de mergulho indicava que ele tinha estado 11,47 minutos debaixo de água”, recordou o jovem, ainda em choque com o sucedido.
Os três colegas de João Teixeira usaram todos os conhecimentos adquiridos no curso de mergulho em apneia para tentar reanimar a vítima. As técnicas de suporte básico de vida não viriam, no entanto, a resultar – o mergulhador não chegou a recuperar a consciência.
A vítima foi imediatamente transportada pelos amigos para terra. Bastaram quatro ou cinco minutos para o barco – um semi-rígido, de quatro metros de comprimento e com um motor de 30 cavalos de potência, propriedade do pai de João – atingir o cais da Solaria, mesmo em frente da cidade de Lagos.
Os bombeiros chegaram praticamente ao mesmo tempo. João Teixeira, que deitava sangue pelo nariz, foi conduzido ao hospital, mas nada havia a fazer. “Não sei o que se passou com o João, que tinha experiência em mergulho e cumpria a regras de segurança. Só a autópsia poderá determinar o que aconteceu”, adiantou ao CM Tiago Correia.
ACIDENTES COM DESPORTISTAS
A Polícia Marítima tem registado ultimamente vários acidentes na costa algarvia com desportistas. Há poucos dias, um windsurfista francês, a residir em Espanha, foi resgatado ileso pelo salva-vidas ‘Rainha D. Amélia’, de Sagres. O jovem fora arrastado pelas correntes marítimas, depois de perder as forças, vindo a agarrar-se a uma rocha, a sul da Fortaleza, na zona da praia do Tonel.
Segundo o comandante das Capitanias de Portimão e Lagos, Marques Pereira, o windsurfista, que nunca largou a prancha, seria ainda pouco experiente e não conheceria bem aquele troço de costa do Algarve. Algum tempo antes, um kitesurfista também teve de ser resgatado do mar pelo barco salva-vidas na mesma zona.
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